Quanto custa às empresas não contarem com a igualdade de género como princípio de gestão?

Opinião de Sandra Ribeiro

Presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego

Muitas vezes, quando se fala de promover a igualdade de género nas empresas é frequente ouvir-se o argumento de que tal implica custos, e que isso é incomportável, mais ainda em tempos de crise.

O desafio que aqui deixo é um convite à reflexão partindo da inversão desse argumento, ou seja, questionar não o preço do investimento em medidas que promovam a igualdade de género nas empresas mas sim, questionar quanto custa neste momento às empresas não contarem com a igualdade de género como princípio de gestão? Quanto custa não investir em políticas de conciliação e assim desaproveitar grande parte da potencialidade produtiva dos Recursos Humanos disponíveis? Quanto custa investir em formação de recursos humanos e a seguir assistir a cíclicos turn overs e assim não conseguir retirar desse investimento os retornos devidos? Quanto nos irá custar a todos e a todas, a curto prazo, a baixa taxa de fertilidade atribuída, em parte, à falta de medidas promotoras da igualdade de género?

De acordo com os relatórios anuais do Fórum Mundial Económico, o ranking dos países com economias mais sãs e competitivas demonstra uma forte relação entre a igualdade de género e o grau de desenvolvimento económico, designadamente através do nível do PIB per capita, e ainda, também, uma forte relação entre o nível de igualdade de género e a capacidade competitiva nacional. Tal demonstração levou aliás o director deste fórum a admitir, em conferência de imprensa, em Fevereiro deste ano, que “(…) a diminuição das disparidades de género estão directamente correlacionadas com o aumento da competitividade económica dos países e que portanto, estando as atenções do mundo viradas para a necessidade de criação de empregos e aumento económico, a igualdade de género é a chave para desbloquear potenciais humanos e estimular a economia”.

Ora, esses países que ocupam o top ten deste ranking, são, na sua maioria, escandinavos, onde, como bem se sabe, as políticas de promoção da igualdade de género, quer do ponto de vista público, quer no âmbito empresarial, apresentam já longos anos de implementação.

As vantagens competitivas decorrentes de políticas de gestão com preocupações de igualdade de género não são um delírio sociológico, estão comprovadas em dados estatísticos concretos, que demonstram claramente que nos países em que os talentos das mulheres são usados no mercado de trabalho de uma forma mais eficiente e onde os sistemas de partilha de licenças parentais e partilha das responsabilidades domésticas e de cuidado são mais efetivos, ocorre um crescimento económico mais rápido e sustentável.

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