Opinião de Sandra Ribeiro

Presidente da Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego

A necessidade de promoção da igualdade de género, nomeadamente no trabalho e no emprego, é um tema sobejamente conhecido enquanto meta social mas ainda poucas vezes apresentado e analisado enquanto meta económica.

Mas as vantagens que já se retiraram para a economia mundial desde que se começaram a fazer progressos na igualdade de género, nomeadamente no trabalho, são evidentes, e vale sempre a pena relembrá-los, como refere o relatório da Comissão Europeia sobre a igualdade entre homens e mulheres na Europa, de 2008: “o emprego feminino foi o principal factor do crescimento contínuo do emprego na UE nos últimos 30 anos.

Só de 2000 a 2006, o número de pessoas com emprego na UE-27 conheceu um aumento de cerca de 12 milhões, dos quais mais de 7,5 milhões foram mulheres (…)”, ou Beatrice Ouin no Parecer do Comité Económico e Social Europeu sobre a relação entre igualdade de género, crescimento económico e taxa de emprego (parecer exploratório) “(…) a entrada em massa das mulheres no mercado de trabalho desde os anos 70, representou para a economia um fenómeno tão importante como a revolução industrial”(…) os casais passaram a comprar muito mais electrodomésticos, passou a ser comum cada família ter dois automóveis, passou a vender-se e a comprar-se comida já pronta, as crianças e os pais passaram a tomar uma refeição fora de casa, as famílias tiveram necessidade de serviços e de estruturas de alojamento para os doentes, deficientes e idosos, bem como de acolhimento das crianças fora do horário escolar.”

Ou seja, convém ter consciência que o que as mulheres faziam em casa até à década de 70 do século passado, como actividade “natural” não remunerada, passou a representar oportunidades de emprego pago e isso fez a economia crescer. Com dois salários os casais puderam adquirir uma habitação, mais automóveis e tirar partido das actividades culturais, lazer, viagens, etc, como nunca tinham feito antes.

E desta forma foram criados empregos na indústria (no sector dos electrodomésticos, automóvel, agroalimentar), na restauração colectiva, nos sectores da saúde e sociais, das actividades extracurriculares, da primeira infância e da educação, na construção civil, no turismo, no sector das atividades de lazer, da cultura, dos transportes de passageiros, etc..

Mas não é tudo… vários estudiosos no campo da economia e marketing comercial têm vindo a defender que apostar em direcções de empresa compostas por homens e mulheres é potencialmente mais vantajoso para os negócios, não porque as mulheres sejam mais inteligentes, mais sensíveis ou atinadas, mas sim porque a diversidade de sexos permite contar com a perspectiva feminina e masculina e isso permite avaliar diferentes pontos de vista a ter em conta no processo de decisão.

Uma gestão unissexo terá tendência para tomar decisões mais rápidas mas com maior risco de serem desadequadas senão mesmo erradas, porque tomadas tendo em conta apenas uma parte da realidade.

Não prestar atenção nestas potenciais vantagens não é inteligente, principalmente em momentos de crise.

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