Capacidade de trabalho é a marca dos recursos humanos portugueses

Os portugueses têm uma capacidade de trabalho reconhecida a nível internacional, reconheceram todos os oradores presentes na 3ª conferência da Human Resources Portugal. Com o tema “A Marca Portugal na Gestão de Pessoas”, o evento decorreu hoje, no Hotel Dom Pedro, em Lisboa.

A capacidade de planeamento e de organização são as características a melhorar defenderam as personalidades presentes, perante uma plateia de mais de 180 profissionais.

«Há um conjunto de valores em que temos de assentar a nossa marca de recursos humanos portuguesa», defendeu Jorge Cruz Morais, presidente da EDP Internacional. Criatividade, espírito de iniciativa, capacidade inventiva e empreendedorismo foram as características sublinhadas pelo orador a quem coube a abertura da conferência.

A primeira mesa redonda, com moderação de Fernando Neves de Almeida, country presidente da Boyden, reuniu a visão de cinco CEO de multinacionais. Carlos Melo Ribeiro, presidente do grupo Siemens Portugal, sublinhou como falha na gestão dos recursos humanos, em Portugal, a incapacidade de planeamento a 10 anos e o desperdício. Para António Bernardo, deputy-CEO e managing partner da Roland Berger, o nosso país tem de melhorar a qualidade dos seus quadros médios.

Ana Paula Moutela, directora-geral da Inditex Portugal, defendeu que «se Portugal é pequeno, então tem de ser o melhor» e referiu a sua experiência internacional para explicar que é mais fácil gerir portugueses devido à sua polivalência. António Reffóios, director-geral da Nestlé Portugal, explicou como as organizações têm um novo desafio pela frente: a geração Y que se caracteriza por ter uma formação sólida, mas também desejo de experimentar e mudar, o que dificulta a retenção de talento. Nélson Santos Ribeiro, CEO Laureate Education Portugal, apelou às empresas para exigiram mais do ensino superior e aos colaboradores para trabalharem com paixão.

A segunda mesa redonda, contou com Margarida Barreto, presidente da APG (Associação de Gestores e Técnicos de Recursos Humanos), onde se discutiu não apenas os problemas na gestão de recursos humanos, mas também as soluções. Miguel Pina e Cunha, professor da Nova School of Business and Economics (BSE), referiu um estudo da Universidade de Standford, que classifica Portugal como um país com fraca qualidade de gestão. «Onde Portugal gere pior é nos incentivos. O mérito deve prevalecer e não é isso que acontece», afirmou o académico. «É preciso mudar as práticas e depois a mentalidade», explicou Paulo Finuras, international business director da Cegoc, sobre as necessidades de mudança na organização.

Andreia Rangel, country HR representative Portugal Cysco Systems, defendeu que as organizações devem investir no que os seus colaboradores têm de «especial» e devem promover a «paixão» pelo seu trabalho para que os níveis de produtividade aumentem. «É necessário envolvimento para gerar resultados», sublinhou Catarina Horta, directora de Recursos Humanos do grupo Randstad. Maria João Martins, directora de Recursos Humanos da EDP, sublinhou a importância da comunicação dentro de uma organização. «Para isso contamos com ‘energizadores’ – 450 em todo o mundo – que funcionam como embaixadores da informação», explicou a responsável da EDP.

«Os portugueses são pouco produtivos por falta de exposição à concorrência», explicou Nadim Habib, administrador da Formação para Executivos da Nova SBE, acrescentando que isso se explica, em parte, pelo atraso na aceitação da globalização. Por outro lado, defendeu que há uma fraca capacidade de estratégia nas organizações portuguesas e é dado um peso excessivo à burocracia. A solução, defende o académico, passa por definir prioridades e perguntar porquê – «a forma mais eficaz de inovação», defendeu. E, finalmente, sublinhou a importância da «sensação de mudar um bocadinho um mundo» e que, para isso, é preciso comunicar aos colaboradores sobre o que estão fazer bem, como podem crescer e onde devem melhorar.

A Pedro Silva Martins, secretário de Estado do Emprego, coube o encerramento da conferência. «Portugal confronta-se com desafios muito significativos por isso estes exercícios de reflexão sobre como ter níveis de produtividade mais elevados são muito importantes», sublinhou o governante.

Leia o artigo alargado na edição de Maio da Human Resources Portugal

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