A cultura da Meritocracia

“O culto da Meritocracia: Como promovê-lo, evitando os principais bloqueadores” foi o tema da mesa redonda da XII Conferência Human Resources, que se realizou no passado dia 25 de Novembro, em Lisboa.

 

Para reflectir sobre estes temas foram convidados Anabela Silva, directora de Marketing e Comunicação da BP Portugal, Fernanda Barata de Carvalho, directora de Recursos Humanos da Accenture Portugal, Tiago Brandão, director de Recursos Humanos da Unicer, Nuno Ribeiro Ferreira, Lisbon Airport deputy director da ANA Aeroportos e Ricardo Alves Gomes, administrador da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Assegurou a moderação Joana Queiroz Ribeiro, directora de Pessoas e Organização da Fidelidade.
Ricardo Alves Gomes sublinhou que, para si, a Meritocracia é um meio e não um fim, um «meio para ter uma organização, e uma sociedade, melhor», e que para isso é preciso compromisso. Por outro lado, fez notar que «ninguém tem motivação para coisa nenhuma se não houver estímulos», e reconheceu que, com o congelamento das carreiras na SCML desde 2009 isso não tem sido fácil. «Foi um grande bloqueador.» Partilhou que foi feita uma reforma dos sistema de avaliação com base na ferramenta “success factors”, que foram harmonizadas e simplificadas as carreiras, e lança a “Escola Santa Casa”, que pretende fazer a pedagogia da responsabilidade da liderança. «Para se chegar à tal cultura de Meritocracia é preciso chamar mais à responsabilidade as chefias», afirmou. «Comunicação e transparência são igualmente fundamentais.»

Fernanda Barata de Carvalho diz estar a viver um dos momentos mais apaixonantes da sua carreira. Na Accenture vive-se uma verdadeira transformação, passou-se de uma “Performance Management” para uma “Performance Achievement”. «A grande diferença é que passámos a desenvolver a nossa própria carreira, temos agora todas as ferramentas para o fazer. Deixámos de ter o processo normal de função por objectivos, desempenho, avaliação… Para a gestão de prioridades, este ano, implementado nas 380 mil pessoas pelos vários escritórios no mundo», partilha. Fernanda Barata de Carvalho é Accenturiana há 20 anos, cinco dos quais em consultoria e os restantes em Recursos Humanos, área que lidera desde 2005. Mas foi apenas aos 40 anos de idade que descobriu a paixão pela Gestão de Pessoas, antes dedicava-se à indústria farmacêutica e à consultoria.

Tiago Brandão, por outro lado, destacou que a Meritoracia é um tema de médio/ longo prazo e que não pode ser imposta por decreto. «Deve sim ser reconhecida, pelos colaboradores e pelos stakeholders.» E desafiou o statement instituído de que “o exemplo vem de cima”. «Hoje, o exemplo vem do lado», realçou. «A liderança deve ser estimulada de forma horizontal e envolver os pares nas decisões que os afectam, para desenvolver o tal espírito de equipa.»

Anabela Silva é a única participante da mesa redonda que não trabalha directamente a área de Recursos Humanos, tendo estado sempre ligada à Comunicação e ao Marketing. Trabalha há 20 anos na BP, uma empresa que está em Portugal há 80 anos. «Sinto-me uma privilegiada. De uma forma curiosa, temos hoje um presidente com 40 anos pela primeira vez. Esta linguagem da Meritocracia demora». Ressalva que «é importante perceber o que é que às vezes falha». E acrescenta: «Um dos bloqueadores são as fracas competências dos líderes». «Há um vector que faz a diferença, o humano, a capacidade das chefias para avaliarem comportamentos adequados e o respeito pelos valores. (…) Quem não tem ferramentas comece por implementar valores, isto é a bússola», vaticina.

Nuno Ribeiro Ferreira falou do “perigo” de ter “empresa de clones”, quando as chefias são substituídas por alguém parecido consigo e não pelos mais qualificados para o efeito. E destacou ainda que «culturalmente, nas nossas empresas, falta espaço para o erro. É um bloqueador terrível para o desenvolvimento de um cultura de mérito.» As acredita que de futuro Portugal vai com certeza sair melhor “na fotografia” em termos de Meritocracia. «Para crescemos e persistimos no tempo é preciso criar empresas sustentáveis. E só são sustentáveis se fizermos pessoas crescerem. E só crescem se houver Meritocracia.»

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