Como nutrir talento numa startup em rápido crescimento?

Não nos esqueçamos que uma empresa é apenas tão boa quanto as pessoas que nela trabalham. E aqui jaz o primeiro verdadeiro desafio: encontrar talento adequado a este tipo de gestão. Seria impossível falar de startups sem falar de uma cultura de risco e inovação.

 

Por Rafic Daud, CEO da Undandy

 

Ao contrário do que acontece em organizações mais estabelecidas, onde governam os métodos e as estruturas, a principal linha condutora de uma startup é a incerteza. A estratégia de uma empresa desta natureza passa frequentemente por uma visão a dez anos e um plano a noventa dias. Tudo o que possamos tentar antever no período intermédio é apenas e só recriação intelectual.

E o sucesso destas empresas está, naturalmente, ligado à capacidade dos seus colaboradores de se adaptarem constantemente a novas realidades: à sua flexibilidade e adaptabilidade.

Não nos esqueçamos que uma empresa é apenas tão boa quanto as pessoas que nela trabalham. E aqui jaz o primeiro verdadeiro desafio: encontrar talento adequado a este tipo de gestão. Seria impossível falar de startups sem falar de uma cultura de risco e inovação.

Inovação disruptiva só acontece com uma verdadeira cultura de risco. E casos de sucesso de startups estarão com certeza relacionados com a sua cultura de inovação – seja no produto, nos processos, na forma de comercializar ou nos modelos de negócio. Atrair pessoas que tenham um fit cultural com esta realidade é o primeiro desafio. Pessoas com um genuíno espírito empreendedor. A capacidade de pensamento abstracto, a capacidade de superação e a visão holística, são características cruciais nas pessoas que abraçam estes desafios. E, acima de tudo, vontade de fazer. A resiliência e a vontade superam o talento dez em cada
dez vezes.

O segundo desafio consiste em nutrir este set de competências. Mas é aqui se torna
imperativo perceber os verdadeiros drives de cada pessoa. Normalmente, para estes
perfis, as condições salariais ou de trabalho são apenas factores de higiene. Os verdadeiros factores motivacionais são a possibilidade de ser responsável por projectos, o alinhamento entre propósitos pessoais e de organização, a partilha de valores comuns, o sentido de comunidade ou as possibilidades de desenvolvimento pessoal. A própria possibilidade de falhar, que irá acontecer muitas vezes, deve ser celebrada, pois é desta que o verdadeiro desenvolvimento acontece.

É crucial a compreensão deste quadro para a gestão de talento numa empresa que cresce à velocidade da luz. Mas uma vez entendidas as motivações dos indivíduos, a execução é mais simples do que parece. Usando as palavras de Ernest Hemingway, “A melhor forma de descobrir se alguém é de confiança, é confiar nessa pessoa”. A verdadeira confiança vem com elevadas doses de responsabilidade, e diz-me a experiência que as pessoas têm todas potencial por explorar dentro delas. Precisam apenas do palco para explanar todo o seu esplendor.

 

Veja também o artigo “Como gerir carreiras numa empresa de rápido crescimento?”

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