O capital digital na gestão

A urgência das empresas se prepararem para a era Digital, é simples: os que o fizerem melhor diferenciam-se, os outros morrem!

 

Por Luís Melo, partner da Boyden Executive Search Portugal

A tendência de digitalização oferece imensas oportunidades para as organizações inovarem, crescerem e se diferenciarem. Contudo, esta excitante e rápida mudança apresenta igualmente um conjunto de desafios e de incerteza, trazendo consigo alterações dramáticas à estrutura organizacional, a cargos e papéis tradicionais, nas opções de investimento, processos de recrutamento e retenção e os instrumentos em torno da interacção com os diferentes stakeholders.

A nossa vida irá mudar drasticamente nos próximos 20 anos. Recentemente, o CEO da Mercedes disse que “os seus concorrentes não são mais os construtores de sempre, mas sim a Tesla, a Google, a Apple e a Amazon. A Uber é apenas uma ferramenta de software, não possuem carros, e são agora a maior empresa de táxis do mundo. A Airbnb é agora a maior empresa hoteleira do mundo, embora não possua qualquer propriedade.”

Esta ideia da dinâmica digital como tema urgente é notória no estudo Executive Monitor “The Digital-Savvy C-Suite e Boardroom”, desenvolvido pela Boyden. A iniciativa explora os desafios, bem como as oportunidades, que os gestores seniores devem endereçar num ambiente digital, retirando conclusões de entrevistas a partners da Boyden a nível internacional e executivos de referência numa variedade de sectores, bem como das respostas a um questionário realizado junto de 1200 profissionais no mercado norte-americano.

Ao gestor é hoje pedido que consiga conduzir a sua equipa e tomar decisões informadas e estrategicamente eficazes no que respeita ao entendimento do potencial do Digital e ao seu investimento. Uma visão mais clara neste âmbito elimina a susceptibilidade da Gestão às agendas pessoais no interior da organização, mas tal apenas se torna possível se esta capacidade de decisão se encontrar sustentada numa participação activa na cultura e práticas digitais implementadas em ambiente corporativo.

De que modo devem os gestores seniores e os membros de boards nas organizações preparar-se para capitalizar as competências digitais? Que características e investimento serão necessários para a gestão neste contexto ser bem-sucedida? Como podem mitigar os desafios identificados e colher os benefícios provenientes desta nova realidade? E que mudanças à estrutura, cultura e pessoas numa organização podem ser esperadas?

Torna-se crucial que as organizações estabeleçam estratégias capazes de guiar a implementação destes recursos, delegar tarefas e assegurar uma transição eficaz para um estado de actuação digital. Os recursos digitais devem encontrar-se desenvolvidos em torno de um mandato abrangente e que integre a organização como um todo. Um requisito essencial para garantir que uma organização passa a ter que uma cultura e um mindset digitais consiste em tornar este tema central na estratégia global da organização; esta já não se pode cingir a um enquadramento de suporte.

Neste mundo digital, a liderança em contexto organizacional exige conseguir o respeito e a confiança dos profissionais que rodeiam a Gestão pela sua capacidade de guiar a organização num ambiente em contínua convulsão. Significa criar um ambiente propício à inovação, participação, à colaboração, formular as perguntas certas, saber ouvir e tomar decisões que conduzam a organização na direção correta. À liderança pede-se que possua uma notória flexibilidade e capacidade de adaptação e que passem aos que lideram, um espírito de confiança num estado de ambiguidade.

A urgência das empresas se prepararem para a era Digital, é simples: os que o fizerem melhor diferenciam-se, os outros morrem!

 

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