Acolher colaboradores quando estão a reaprender a viver

Retomar a vida profissional após uma tragédia não é fácil. A Lusiaves acolheu recentemente colaboradores residentes nas regiões que foram, no passado mês de Junho, devastadas por incêndios.

 

Por Sónia Matias, responsável de Recursos Humanos do Grupo Lusiaves

 

Acolher novos colaboradores é uma tarefa gratificante e, simultaneamente, delicada porque falamos de pessoas – de seres humanos -, que possuem, de forma intrínseca, um conjunto de vivências que fizeram deles aquilo que são. Integrar um novo colaborador significa, por isso, introduzir numa organização não apenas um profissional, mas novas histórias, expectativas e, claro, necessidades.

Após uma tragédia, e ainda mais quando é uma que atinge o lar e os entes queridos, é sempre difícil reencontrar a normalidade do quotidiano. Não bastando o desgaste emocional, de repente, é preciso relembrar como se vive quando à nossa volta tudo nos parece desfeito.

Neste contexto, retomar a vida profissional é muito difícil. E é-o ainda mais quando não há um emprego para onde regressar. Não há a rotina a que se estava habituado a chamar de “quotidiana”.

Este foi o quadro dos colaboradores que integrámos recentemente numa das nossas unidades, que são residentes nas regiões que foram, no passado mês de junho, devastadas por incêndios.

Tendo em conta que não é um enquadramento simples, não podemos esquecer que, a partir do momento em que chegaram ao nosso Grupo, estas pessoas estavam a iniciar uma nova etapa das suas vidas. E, sem perder de vista que o seu passado recente é difícil, era importante que sentissem que “depois da tempestade, vem a bonança” e que este seria o ponto de viragem das suas vidas. Deste modo, com toda a compreensão que a sua história merece, tentámos que o acolhimento a estes colaboradores fosse o mais semelhante ao que fazemos com qualquer outro.

Consideramos que é muito relevante encontrarmos este ponto de “normalidade” e, por isso, desde que chegaram às nossas unidades, estes colaboradores, como todos os outros que acolhemos, foram assignados a um “padrinho”, que vai acompanhando o seu percurso e facilitando a sua integração. O “padrinho” é um colaborador que está connosco há algum tempo e que ajuda a esclarecer todas as dúvidas do recém-chegado colega, bem como vai sendo um ponto de apoio em todas as questões associadas à adaptação ao novo local de trabalho.

Adicionalmente, e para facilitar o processo, pensámos em questões logísticas muito simples, mas que acreditamos fazerem toda a diferença como, por exemplo, desde o primeiro dia que assegurámos o transporte diário destes colaboradores. Por outro lado, é nosso objectivo instalar novas unidades em cada um dos concelhos afectados pelos incêndios e, nessa altura, estes colaboradores serão os primeiros a serem convidados a assumir estes postos de trabalho mais próximos de casa.

Finalmente, e porque entendemos que “integrar” é um conceito que vai muito além da simples “incorporação” na organização promovemos, com alguma regularidade, eventos de engagement, em que reunimos, num momento de cariz mais lúdico, as chefias e colaboradores com quem não se tem contacto regular no dia-a-dia, com o intuito de reforçar a nossa cultura de proximidade e fazer com que todos os colaboradores se sintam verdadeiramente parte da “Família Lusiaves”.

Este é, aliás, um firme compromisso da gestão de topo, que sensibiliza todos os níveis hierárquicos para a importância do saber receber e acolher os novos colaboradores.

 

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