Como o perfeccionismo prejudica a carreira

Os profissionais que aspiram ao perfeccionismo fazem mais do que é necessário ou apropriado, acabando por sabotar o emprego através do mau ambiente que criam à sua volta. Mas há passos que se podem tomar para controlar o problema. E superá-lo.

 

 

Ao longo da nossa vida, confrontamos-nos com várias situações em que somos encorajados a ser muito bons, como o apelo ao estudo e às notas altas, a crítica constante por figuras de autoridade, a comparação negativa com colegas ou amigos e, em alguns casos, a necessidade de ultrapassar maus exemplos de familiares.

Independentemente dos motivos porque a tendência se inicia, o perfeccionismo é viciante e pode causar danos na vida quotidiana, por não permitir uma apreciacção de nós próprios, do reconhecimento do nosso valor, tal como também pode não permitir a construção de uma relação saudável.

Na vida profissional, o perfeccionismo impede-nos de sentirmos alegria e satisfação pelo nosso trabalho e  não nos permite apreciar os nossos colegas a 100%. Um colaborador perfeccionista procura validação de forma sistemática. Não se sente seguro, capaz ou “bom o suficiente”, até ter atingido um nível de perfeição que criou na sua mente.

Por isso, é viciado na procura do próximo obstáculo para superar, para demonstrar que é capaz. Outra característica é possuirem o denominado “sindrome do impostor”, a ideia de que estão a enganar os outros, apenas a demonstrarem que são bons e receosos de ser descobertos e considerados falsos.

 

Acima de tudo, os colegas perfeccionistas prejudicam a carreira com estes comportamentos:

1. São colegas que tornam o convívio, a gestão e a colaboração mais complicadas, devido à necessidade de ganhar, que acaba por alienar os outros.

2. Magoam os outros, com críticas e preconceitos que iniciaram consigo mesmos.

3. Não pensam com clareza, sabotando a capacidade de gerir pessoas, projectos ou recursos, com o auto-criado standard de que tudo tem de ser perfeito.

4. Não têm um bom processo criativo, pois este não é limpo, perfeito e linear, o que para estes indivíduos é complicado e fá-los sentirem-se inseguros.

5. “Erguem paredes”, pois a necessidade de perfeição tornam-nos nervosos e os colegas reparam nisso.

O perfeccionismo prejudica a habilidade de liderar, inspirar e comunicar bem com os outros. Mas este comportamento não é irreversível. Há passos que pode tomar para conseguir superar esta necessidade. Nomeadamente:

1. Comece a delegar

Não precisa de fazer tudo sozinho. Peça mais ajuda a quem beneficia  e aprenda mais ao dá-la. Por exemplo, em casa, identifique, todas as semanas, tarefas em que o cônjuge ou os filhos poderiam ajudar, como tratar da roupa ou fazer o jantar. Peça a ajuda deles e imponha que o façam. No trabalho, comece a delegar tarefas, para os colegas aprenderem a ser mais independentes e melhorarem capacidades.


2. Aprenda a dizer “não”

Identifique em que situações diz “sim”, não por querer fazê-lo, mas por achar que tem de fazê-lo para ser perfeito. Determine o que já não quer fazer (estar em determinado grupo, por exemplo), ganhe coragem e diga “não”. Pare de tentar ser tudo para toda a gente, e aprenda a pensar mais em si.


3. Aprecie o “suficiente”

Não se tente superar em todas as áreas só porque está a tentar ganhar aprovação. Quer seja ficar até mais tarde no escritório, ou comprar os artigos mais em voga para os filhos apesar de querer poupar dinheiro, desligue a necessidade de adquirir. Determine a área que lhe vai dar alegria, paz e satisfação se o pudesse aprender, vivendo com menos do que perfeição.


4. Reconte a história

A forma como escolhemos interpretar o que nos acontece – a nós próprios e aos outros – influenciam como vemos a vida. Pense no seu valor próprio todos os dias, quer seja escrever coisas boas que pensa sobre si ou por diálogo consigo mesmo, em vez de pensar em todas as formas em como podia ter feito mais para ser perfeito.

 

Se não o consegue fazer sozinho, é perfeitamente aceitável procurar ajuda externa para largar a tendências perfecionistas.

 

Fonte: Business Insider, Kathy Caprino, career coach e escritora

 

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