A escuta mágica nas organizações

Na Gestão de Recursos Humanos, dependemos da abertura interdimensional ao outro. Na inevitabilidade de acolher o outro de forma autentica, destaca-se o rapport*: a capacidade de entrar no universo dos nossos pares, abrindo-lhes as portas do nosso. Garantido a mútua escuta mágica.

Por Paulo Vieira de Castro, director do departamento de Bem-Estar nas Organizações do I-ACT – Institute of Applied Consciousness Technologies (EUA)

 

Só a abertura ao outro permitirá vínculos de maior coerência interna e credibilidade relacional. Para isso existem muito métodos. Porém, todos fazem referencia a uma mesma necessidade: a inevitabilidade de acolher o outro de forma autentica e pacificadora, salientando-se aqui o rapport.

O processo interno
Habitualmente, no uso comum do rapport, seja em psicologia, em coaching, ou PNL, é esquecido um lado que quanto mim é fundamental na Gestão de Recursos Humanos: o auto-rapport, ou seja, trabalhar o cognitivo, o comportamental e o emocional em nós próprios.

Aqui desenvolvemos o alinhamento energético entre as emoções (mente), o cérebro (inteligência) e a intuição (espírito), permitindo a propriedade de estar consigo, consciente e genuinamente. Tal poderá ser conseguido através do uso de inúmeros mindsets. Por exemplo, a meditação budista, entoar mantras hindus, o Raja Yoga, a prática de gratidão diária, o silêncio, rezar, etc. Sem uma das referidas práticas, entre tantos outros possíveis exemplos, será difícil passar à sintonização harmoniosa com o outro. Isto por razões que todos compreenderemos. Eu não posso manter relações baseadas em afinidade e sintonia harmónica com o outro se não for, por exemplo, capaz de estar em paz comigo mesmo. Em especial na liderança este é um tópico inultrapassável.

O processo externo
Também no mundo dos negócios as relações apresentam um pronunciado pendor inconsciente. Estudos da área da psicologia e das neurociências há muito que revelaram a importância seminal do comportamento dos nossos circuitos emocionais através da empatia e do conhecimento a propósito do nosso mais importante simulador de acção, os neurónios espelho. Aqui, empatia é a palavra de ordem.

Muita gente confunde empatia com simpatia. Empatia é “sofrer com”, i.e. compreender o mundo do outro e preocupar-se com ele. Simpatia, ou a falta dela, toda a gente sabe o que é. Mas, ambas supõem uma mesma ideia de partilha autêntica. Daqui se salientando a relevância da dimensão informal das relações.

Simplificando
Primeiro, trabalhar autonomamente as bases do auto rapport. Num segundo momento, sintonizar os sentimentos e as emoções do outro. Lembre-se, conhecer o outro empaticamente abre-nos à possibilidade de aceitar a existência de múltiplas perspectivas, o que é determinante ao gestor de Recursos Humans. Terceiro momento, comunicar claramente ao outro que ele está a ser compreendido. Não confundir com adoptar a opinião do outro.

Assim, alinhamos o querer individual com a motivação e o exercício de um colectivo, ficando somente dependentes da partilha incondicional de um centro de referências interiores, vibracionais, energéticas, associados a estados de desperticidade e consciência plena, não esquecendo nunca os compromissos estratégicos da organização, permitindo agilizar decisões e relações mais conscientes e pacificadoras. Esta disponibilidade estreita e fortalece o que todos temos, afinal, em comum.

Só esta abertura ao mundo do outro proporcionará uma comunicação compassiva e bem-sucedida. A única força capaz de nos devolver à dimensão empática das relações profissionais ou pessoais.

Lamentavelmente, na actualidade, as relações organizacionais dependem de modelos de pensamento que se desenvolvem a partir de si mesmos, das suas próprias regras e símbolos. Deste modo, o ser humano é facilmente empurrado para relações estratégicas e meramente funcionais. Contrariando a referida tendência, o rapport facilita o aumento da autossuficiência e programação anímica nas relações profissionais.

*Rapport é um conceito do ramo da psicologia que significa uma técnica usada para criar uma ligação de sintonia e empatia com outra pessoa.

 

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