Os desafios da Era People 4.0

Na XIV Conferência Human Resources, Maria João Gomes, HR Lead da Sonae MC, Nuno Morgado, sócio coordenador de Direito Laboral na PLMJ, e Paula Ribeiro de Albuquerque, directora de Recursos Humanos da Media Capital, discutiram os desafios que estão a ter na era 4.0.

 

 Gerir as competências dos talentos, regulamentar o acesso ao digital e a forma de fazer conteúdos foram algumas das adaptações referidas na mesa redonda moderada por Rui Fiolhais, presidente do Instituto da Segurança Social. Nesta discussão que, como nos restantes momentos, incluiu perguntas enviadas pela audiência através dos seus smartphones, cada orador explicou como as suas equipas se tentam adaptar e que desafios encontram.

«As empresas não estão totalmente preparadas para a revolução digital», defendeu Maria João Gomes, admitindo que na Sonae MC o acesso ao digital não é democratizado. «Ainda há trabalho a fazer, particularmente na incorporação de leis. Também temos de ensinar as chefias a gerir colaboradores hiperconectados. Esse também é um desafio das lideranças. Por outro lado, não podemos esquecer que parte dos nossos colaboradores nem têm acesso a um computador no seu trabalho diário.»

Outra questão que a HR Lead da Sonae MC destacou foi a idade. A noção de que um profissional perde valor quando atinge a casa dos 50 anos é uma ideia que considera perigosa. Ressalvou ainda que a Sonae MC conta com cerca de 51% de millennials, mas tal não significa que estes sejam automaticamente 4.0.

Quando questionado sobre como a lei está a adaptar-se a esta transformação, Nuno Morgado explicou que não é desejável que o Direito ande à mesma velocidade da realidade que regula. «Tem de existir uma realidade primeiro. O Direito não deve andar à frente.» Mas o sócio coordenador de Direito Laboral da PLMJ reconhece que a legislação portuguesa ainda tem lógica industrial, referindo a recente tentativa de regulamentar o direito à disconexão por parte de colaboradores fora do horário de trabalho. «Percebendo a intenção e valor, mas acho que é sempre melhor haver auto-regulação por parte das organizações.»

Quanto ao uso do digital, Nuno Morgado começou por esclarecer que não é verdade que um advogado não gosta de tecnologia, dando o exemplo da sua sociedade que vai intregrar o uso de inteligência artifical. Defendeu ainda que, mais do que a formação base, o mais importante num jovem advogado é o pensamento crítico e a habilidade de resolver problemas.

Já Paula Ribeiro de Albuquerque, ao falar da área onde trabalha, reconhece que, «infelizmente, o espírito não é ainda de aprendizagem contínua. Ainda estamos a aprender nesse sentido», admite, ressalvando no entanto que essa realidade começa a mudar. «A forma de trabalhar tem de ser adaptada, é evidente, e por parte das equipas dos vários órgãos de comunicação da Media Capital tem havido um grande esforço nesse sentido.»

Ao mesmo tempo, estão a apostar em projectos como o TVI Player, pois já não se vê televisão da mesma forma, e as equipas de jornalismo começaram a criar conteúdos para o digital, com, por exemplo, vídeos adaptados a todas as plataformas. «As novas gerações procuram, cada vez mais, conteúdos específicos. E apostamos também, a rádio é disso um bom exemplo, num contacto constante com a audiência através das redes sociais.»

Contudo, a directora de Recursos Humanos não vê todas as funções relacionadas com a área onde trabalha a manterem-se perante a revolução digital: «Acredito que algumas funções vão desaparecer», referindo que até já existem «robôs a fazer notícias».

 

A Conferência vai ser publicada na íntegra na edição de Janeiro da Human Resources.

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