Portugueses ainda preferem trabalhar a tempo inteiro

O estudo “Flexible Working: a career and lifestyle pathway”, conduzido pelo grupo Adecco e pelo LinkedIn, conclui que, ao contrário da tendência verificada a nível mundial, Portugal (54%), Itália (54%) e Espanha (42%) são os países onde existe maior resistência face ao trabalho flexível.

 

A pesquisa, realizada este ano, contou com respostas de mais de 100 mil empresas em 38 países a nível mundial, revela que mais de metade dos portugueses, tendo de optar, prefere um trabalho a tempo inteiro.

A tendência para profissionais qualificados rejeitarem trabalhos com os horários habituais está a crescer no mundo, ao mesmo tempo que o fenómeno da gig economy ganha mais adeptos, por verificar-se uma alternativa mais vantajosa. Para 54% do total dos inquiridos, eleger um trabalho flexível traduz-se na escolha de um estilo de vida e carreira.

Segundo Carla Rebelo, directora-geral da Adecco Portugal, «o trabalho flexível é uma tendência em grande crescimento em vários países e poderá ser uma realidade em Portugal, num futuro próximo, apesar de ainda não ser muito expressiva. Este estudo revela dados importantes, pois conseguimos aceder a conclusões que nos permitem criar meios e desenvolver soluções que possibilitem condições semelhantes para quem tem um trabalho flexível e a tempo inteiro, especialmente no que diz respeito a benefícios sociais, férias, pensões e seguros», defende.

Esta pesquisa vem também revelar e destacar o facto de estarmos a entrar numa nova era económica, onde o trabalho flexível se está a tornar uma parte atractiva do status quo do indivíduo. «Este poderá ser o caminho para muitos jovens que procurem trabalhos independentes, que lhes proporcionem maior liberdade e autonomia», acrescenta a responsável.

Outras tendências reveladas pelos dados é que 73% dos trabalhadores flexíveis que possuem perfil no LinkedIn têm qualificações superiores, 54% optaram por um trabalho flexível para atender às necessidades e objectivos pessoais e 36% devido à dificuldade em conseguir um trabalho a tempo inteiro. Ao mesmo tempo, apenas 36% considera este factor como algo negativo para a carreira, 82% dos inquiridos com trabalho flexível têm entre 18 e 26 anos e já desejavam ser empregados independentes, e 89% já encara esta forma de trabalhar como algo a longo prazo.

Sabendo da importância do trabalho flexível, o Grupo Adecco em conjunto com a Microsoft desenvolveu recentemente o YOSS – uma feira digital pioneira, que tem como objectivo colocar em contacto freelancers e grandes empresas. Esta permite a freelancers o acesso às maiores empresas do mundo, pagamento garantido no prazo de 72 horas, inscrição para benefícios sociais, entre outros.

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