O que fazer acerca da solidão no trabalho?

A solidão no local de trabalho é um problema actual, que pode prejudicar a performance de um colaborador. O que fazer para lidar com ela? Como ajudar um colega ou colaborador que demonstre sintomas?

 

A solidão já não é um problema de poucos. É, de facto, algo sentido por muitos trabalhadores ao longo das suas carreiras. Lembra-se daquele emprego em que se sentia sozinho, em que parecia que ninguém queria saber se estava lá ou não?

Sente que não se pode queixar, pois ninguém na empresa é “mau”. Mas ao almoço, estão todos a olhar para os telemóveis, a mandar mensagens para os amigos, a ver séries no Netflix, ou mesmo apenas a passar pelo Instagram. O aborrecimento dura o dia todo. E tudo o que pensa é em como não conversa com outro ser humano há algum tempo.

Enquanto muitos foram educados para simplesmente não ligar, ficar contentes por ter emprego, e pensar que é apenas o escritório, há um dado importante a considerar – é que de acordo com os estudos científicos, a solidão mata a performance no trabalho.

Um estudo da California State University e da Wharton School of Business, com 672 colaboradores e os seus 11 supervisores entre 143 equipas, concluiu que “a solidão no trabalho dá lugar a cansaço emocional para com a organização, que se reflecte numa atitude distraída e compromisso reduzido.” Os resultados também demonstram que os colegas reconhecem estes sintomas e que tal impacta toda a equipa.

O problema está na reacção. Os colegas e líderes sentem-se inclinados a fazer aquilo que não é aconselhado, deixar estes colaboradores em paz. Isto é a resposta errada. A pesquisa dita que os profissionais de Recursos Humanos “não devia tratar a solidão como uma questão privada, que precisa de ser resolvida individualmente pelos colaboradores que têm estas emoções, mas antes considerar que é um problema organizacional que precisa de ser dirigido pelo bem da equipa e empresa.”

Como reagir?

O primeiro passo é deixar de assumir que o colaborador quer ser deixado em paz. Os colegas que sintam solidão também o sentem por achar que ninguém está interessado em conhecê-los ou ajudá-los. Isto é perigoso. Por isso, demonstrar interesse nos colegas e no que estes pensam pode ajudar. “Podes dar-me uma ideia ou sugestão?”. Quando demonstramos interesse nos gostos, ideias e trabalhos, eles demonstram interesse de volta.

Quando é o próprio

– Ir além do seu departamento

Há a possibilidade de que os colegas com que passa a maior parte do seu tempo queiram apenas uma pausa para deixarem de pensar no seu trabalho. Por isso saia do círculo restrito e converse mais com pessoas que podem ver o mundo por outras lentes. Uma pesquisa do O.C. Tanner Institute demonstra que 72% dos projectos premiados envolvem colaboradores que falam com pessoas fora do seu círculo. Além disso, pessoas que não vivem nem trabalham consigo com frequência podem achar o seu trabalho fascinante, e vice-versa.

– Não se vá embora, entre!

A reacção de nos escondermos quando não nos sentimos bem-vindos é natural. Mas esta é a oportunidade de olhar em volta e ver onde podemos fazer a diferença entre colegas de trabalho. Pode ajudá-los a poupar tempo e energia? Pode encorajá-los a cumprir um objectivo? Mude a corrente de pensamentos que tem e foque-se em criar resultados mais positivos.

Se vê um colega que possa estar a sentir solidão, o que fazer?

– Não assuma que não tem a ver com o trabalho.

Embora seja verdade que os colaboradores possam ter problemas fora do trabalho, como relacionamentos, saúde, stress emocional, não assuma que não pode fazer nada. Fale com ele e tente compreender o que se passa. E se for, pense onde pode exercer influência. Pode apresentá-lo a colegas? Pode dar-lhe a conhecer actividades?

– Procure maneiras de demonstrar apreciação

As pessoas apreciadas produzem mais e melhor trabalho. Dê a perceber o valor do colega ou colaborador com solidão dentro da empresa, da cultura e da equipa, e para si também.

A solidão no trabalho é um problema difícil, mas não deve deixar que prejudique o seu potencial.

Fonte: Todd Nordstrom, director de conteúdos no  O.C. Tanner Institute

 

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