As empresas para além da Geração Z

Os recrutadores reconhecem o perigo mas ainda vêem a atracção de talento da Geração Z como o maior desafio para as empresas. Isto pode levar à alienação de colaboradores mais velhos, ao criar demasiada ênfase no recrutamento dos mais jovens.

 

Estas são as conclusões do relatório Capita Resourcing’s Gen-Natural Workforces. Do universo questionado, um terço (32%) dos trabalhadores com idades acima dos 50 anos sentem que estão a ser deixados de lado, enquanto os recrutadores se esforçam para atrair os trabalhadores da Geração Z para o seu local de trabalho.

Estes candidatos nasceram entre a segunda metade dos anos 90 e a primeira metade da década de 2000, e são vistos como um grupo mais confortável com o uso de tecnologia e redes sociais, pois cresceram com a internet.

A pesquisa descobriu que os recrutadores reconhecem os riscos de se focarem demasiado numa geração, com 70% a acreditar que ignora as outras, e 63% espera um aumento na tensão entre os diferentes grupos etários no local de trabalho, agora que estes jovens vão atingir os 18 anos e entrar no mercado laboral. Mas apesar disso, os negócios continuam a dar ênfase na atracção deste talento, com 83% dos profissionais de Recursos Humanos a citar este como um dos maiores desafios no sector.

Erika Bannerman, CEO da divisão dos serviços no local de trabalho da Capita, afirma que «é vital que os negócios sejam bem-sucedidos a atrair jovens, com as capacidades digitais que estes nos oferecem, de uma forma rápida e simples. Contudo, a Geração Z, por si só, não é o grupo prometido para resolver a questão da escassez de capacidades, e os empregadores deviam focar-se mais em construir e atrair uma força laboral multigeracional. Isso significa que reconhecer as diferenças entre os vários grupos etários, mas gerir as diferenças em vez de se dividirem com elas».

O relatório defende a necessidade de uma resposta neutra em termos de conflitos geracionais em termos de emprego e retenção de talento. Questiona o sentido comercial de gastar tanta energia a focar-se na geração Z, devido ao facto de 68% dos recrutadores acreditar que esta está mal preparada para os desafios da vida no emprego quando começam a trabalhar, e que o trabalhador Z espera apenas ficar na empresa menos de 18 meses.

Katrina Pritchard, professor associado na escola de management da Swansea University, ficou muito satisfeito com as chamadas de atenção do relatório, que pede uma abordagem intergeracional. «As empresas reconheceram os millennials como uma geração que promove fortemente uma marca e estão a apressar-se a fazer o mesmo com a Geração Z, mas a ideia de fazer a caracterização de um colaborador pela sua geração não é útil, nem ajuda a identificar os atributos no emprego», disse, em declarações à revista britânica HR Magazine. «É falta de visão assumir que os mais velhos não entendem novas tecnologias. Se é isso que os recrutadores procuram em novos candidatos, precisam de ser claros que querem as capacidades digitais, em vez de dizerem que querem a Geração Z».

Duas pesquisas informaram o relatório Capita. A primeira entrevistou 106 líderes de Recursos Humanos e 1.015 jovens entre os 16 e 20 anos. O segundo grupo focou-se em trabalhadores mais velhos e entrevistou 100 gestores de pessoas e 1.002 trabalhadores com idades acima dos 55 anos.

Fonte: Rachel Muller-Heyndyk, HR UK

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