As implicações empresariais de vidas mais longas

As pessoas estão a viver e a trabalhar mais anos – mas poucas organizações se têm familiarizado com as oportunidades e desafios inerentes a uma maior longevidade.

 

Por Lynda Gratton e Andrew Scott (London Business School)

 

Por todo o mundo, as pessoas estão hoje a viver mais anos. Quer seja nos Estados Unidos da América (EUA), na China, ou no Ruanda, a esperança média de vida aumentou nas últimas décadas. Se continuar a crescer à velocidade de dois a três anos por década, como tem acontecido nos últimos 150 anos, então uma criança nascida no Japão em 2007 terá mais de 50% de probabilidade de viver para lá dos 107 anos. Partindo do mesmo pressuposto, as crianças nascidas nesse ano na maioria das economias avançadas terá probabilidades semelhantes de passar o 100.º aniversário.

Há uma noção crescente de que a cada vez maior longevidade terá grandes implicações na forma como as pessoas gerem as suas vidas profissionais e as suas carreiras. O aumento da esperança de vida significa que o nível de poupanças exigido para uma reforma razoável aos 65 anos de idade está a tornar-se cada vez mais complicado para a maioria das pessoas. Prevemos que, tendo em conta o nível médio das poupanças nas economias avançadas, muitas pessoas que estão actualmente com 40/ 50 anos, terão provavelmente de trabalhar até aos 70 anos; muitos dos que estão agora na casa dos 20 (muitos deles podem viver até aos 100) estarão a trabalhar até ao final dos 70, e até aos 80.

Por todo o mundo, as pessoas estão cada vez mais conscientes do número cada vez maior de anos que terão de trabalhar – mas sentem-se frustradas pelo seu contexto profissional. A nossa pesquisa sugere que, embora as pessoas saibam que têm de reestruturar as suas vidas e carreiras, as empresas não estão preparadas. De facto, as organizações têm sido de certa forma inconsistentes na sua reacção a uma maior esperança de vida. Por um lado, muitos executivos sentem-se entusiasmados com as possibilidades de aproveitarem os supostos 13 biliões de euros de poder de compra das pessoas com mais de 60 anos; por outro lado, poucos tiveram realmente em conta as oportunidades e os desafios que uma maior longevidade representa na sua própria força de trabalho.

A maioria das empresas, principalmente as das económicas mais avançadas, ainda vê a vida em três etapas: formação a tempo inteiro, emprego a tempo inteiro e depois uma reforma “abrupta” por volta dos 65 anos. É esta a estrutura de vida que nasceu nas económicas avançadas do século XX e que continua a fundamentar muitos dos pensamentos sobre a força de trabalho. Embora esta estrutura funcionasse quando a esperança de vida estava nos 70 anos de idade, não pode ser alongada para apoiar uma vida saudável até aos 100 anos.

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Dezembro da Human Resources, nas bancas.

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