Bons líderes versus maus líderes

O Hotel Palácio do Governador, em Belém, recebeu o pequeno-almoço debate dedicado ao tema liderança. Um questão que gerou alguma polémica foi se bons líderes alcançam sempre bons resultados e se os maus líderes têm iguais hipóteses de os atingir.

 

Por Sandra M. Pinto | Fotos: Nuno Carrancho

 

Num mundo como o actual, em que a mudança acontece a uma velocidade vertiginosa, o tema liderança adquire uma particular preponderância. Nunca como hoje foi tão debatido, com particular enfoque no papel desempenhado pelo líder nos bons resultados alcançados pelas organizações. Será que existe uma correlação elevada entre o líder e os resultados da empresa? Será que ter bons líderes equivale a ter bons resultados e maus líderes condenam a organização ao insucesso? E, atendendo à transformação digital que se vive nas organizações, e à gestão “multi tudo”, que papel deve  ser assumido pelo líder? Quais serão as características essenciais que deve ter, nestas novas organizações cada vez mais robóticas, para garantir o sucesso?

Este e outros temas serviram de base ao pequeno-almoço debate que teve lugar no Hotel Palácio do Governador, em Belém, e onde estiveram presentes Fernando Neves de Almeida, managing partner da Boyden Portugal; Nelson Pires, director-geral da Jaba Recordati; José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal; Inês Caldeira, CEO da L’Oréal Portugal; e Pedro Ramos, director de Recursos Humanos do Grupo TAP Air Portugal.

 

Reputação e carácter

«Se tivermos em conta o conceito tradicional de líder, a ideia de que o líder perfeito possa ser uma máquina é uma aberração», começou por se considerar, para logo de seguida se ouvir uma afirmação algo polémica: «um mau líder traz tão bons resultados como um mau líder». Com a diferença de que «um bom líder alavanca a sua actuação na eficácia, consumindo menos energia do que consumiria um mau líder, pois as pessoas não se vão embora e a organização cresce com maior rapidez e proactividade».

De outro lado da mesa defendeu-se que «um bom líder é aquele que atinge os objectivos da forma mais simples», mas questionou-se: «Será que um mau líder é aquele que não atinge os resultados para os quais foi recrutado? Ou isso é “apenas” um mau profissional?» Por outro lado, há quem duvide da capacidade desses “maus líderes” para atrair talento, «porque a reputação é algo que os maus líderes não conseguem sustentar. São as diferenças entre um bom e um mau líder que levam a distintos resultados no decorrer do tempo», afirmou-se.

Se por um lado, há quem seja peremptório na certeza de que «um bom líder é aquele que apresenta resultados, ponto, independentemente do seu carácter enquanto pessoa, por outro também se defendeu que «o líder é o cimento da organização, tem a função de unir, garantindo que todas as peças – ou seja, pessoas – contam, e que são as peças certas».  Ou seja, «atingir os resultados implica envolver as pessoas, e isso implica desenvolvimento e motivação». E acrescentou-se: «Um líder não tem que gerir só os seus colaboradores, tem de gerir todos os stakeholders».

Também se chamou a atenção para o facto de a maior parte dos líderes actuais não conseguir acompanhar a rapidez da tecnologia. «Isso implica que os líderes sejam resilientes para que consigam integrar este mundo novo nas suas organizações. «Destaque-se aqui que resiliência não significa passividade, antes pelo contrário. Significa saber estimular internamente as suas pessoas a empreender, a apostar em novas ideias, em novas formas de fazer, de chegar ao exterior e nesta grande necessidade de ser multi-stakeholder, ou seja, estar muito atento dentro e fora da organização.» Simultaneamente, têm de ter a capacidade de integrar todas as gerações na organização.» Mais… «Tem que ser um bom cidadão.»

 

Leia o artigo na íntegra na edição de Dezembro da Human Resources Portugal.

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