2019: equilíbrio e produtividade

Uma análise sobre o que nos reserva o novo ano, em termos de negócio, pessoas e novas formas de trabalhar.

Por Álvaro Fernández, director-geral da Michael Page Portugal

Portugal registou em 2018 bons níveis de crescimento. Existem alguns índices que apontam para um ligeiro abrandamento da economia mas, ainda assim, deverá verificar-se um bom dinamismo.

Fazendo um prognóstico de 2019, gostaria de dividir a minha análise em três campos: o do negócio, o das pessoas e o das novas formas de trabalhar.

– No que concerne ao negócio, serão criadas oportunidades sobretudo nas áreas das Tecnologias da Informação, Hotelaria e Turismo, Shared Service Centers, Customer Care e Retalho.

A concretizar-se a legislação que fixa quotas de contratação de pessoas com deficiência, também aumentarão as necessidades de recrutamento deste tipo de perfil.

O sector financeiro continuará a ter necessidades ao nível de compliance devido à regulação comunitária e nacional, o que poderá levar a um reforço dos departamentos jurídicos. Verificar-se-á um acréscimo no recrutamento da figura de Data Protection Officer, fruto das leis do Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD).

Face ao crescimento do e-commerce e do digital, as organizações irão apostar no recrutamento de profissionais para os seus departamentos de Compras e Logística.

A Indústria continuará a dar um contributo significativo para o PIB nacional. Em especial a norte, as empresas de componentes para a indústria automóvel, metalomecânicas, cortiça, papel, têxtil serão as mais desenvolvidas.

Transversal a todas as áreas é a evolução salarial positiva, com os profissionais a valorizarem cada vez mais os fringe benefits (benefícios adicionais à remuneração salarial)

– Aliás, não podemos esquecer que os recursos humanos são o mais valioso activo das organizações. Os verdadeiros líderes deverão ter um foco principal nos seus planos: as pessoas.

Os melhores profissionais, altamente qualificados e verdadeiramente motivados, encontram-se numa fase de grande energia e dedicação. Assim, é fundamental que os orientemos não a trabalhar mais, mas a trabalhar melhor!

Convide os colaboradores a analisar o que podem melhorar no seu desempenho; quais as tarefas que trouxeram verdadeiro valor acrescentado e aquelas que podem ser optimizadas.

Os líderes devem também reflectir sobre como podem melhorar as estruturas das suas equipas, mantendo os seus membros extremamente produtivos e motivados. A chave para o atingir é a especialização: construir equipas onde cada colaborador tem objectivos específicos bem definidos. As melhores empresas são aquelas que conseguem ter pessoas dedicadas ao negócio base, apoiadas por equipas de suporte que sejam verdadeiros business partners.

– Por fim, destaco o cada vez maior impacto da tecnologia nas novas formas de trabalhar. As empresas irão disponibilizar cada vez mais telemóveis, portáteis e, ocasionalmente, tablets aos colaboradores. O trabalho remoto ganhará cada vez mais relevância, permitindo que os colaboradores trabalhem fora do escritório, gerindo e controlando a sua agenda da forma mais eficiente para si e para a empresa.

As novas formas de trabalhar podem ser muito desafiantes, mas incrivelmente estimulantes. Com a constante evolução da tecnologia criam-se novos canais de comunicação e serão as empresas que maior proveito tiram deles as que verdadeiramente se destacarão no futuro.

Para 2019, há duas palavras-chave que se complementam: equilíbrio e produtividade. Equilíbrio entre o que é melhor para a empresa e para o colaborador, entre o trabalho desempenhado e as recompensas, entre vida pessoal e carreira. Completando este passo, teremos, então, o contexto ideal para atingir a produtividade máxima.

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