A riqueza da diversidade

É a multiplicidade de perspectivas que permite às organizações acederem ao conhecimento actual, que é vasto e está disperso.

Por Dominika Kovacs, country manager da Takeda Portugal

 

Apesar de vivermos numa altura em que a próxima novidade está ao virar da esquina, sabemos que ainda persistem necessidades não satisfeitas em várias áreas, nomeadamente na área da Saúde. Não que haja falta de vontade de as endereçar, mas nem sempre o conhecimento e a capacidade de nelas investir se reúnem para tal acontecer. A somar a isto, sabemos que processo de pesquisa e desenvolvimento de fármacos é complexo, longo e com custos elevados, apesar do resultado poder aumentar a esperança de vida das pessoas, tratar certas doenças e, assim, gerar benefícios sociais e económicos.

Assistimos nas últimas décadas a avanços expressivos na química e na biologia, que nos levaram a compreender melhor vias bioquímicas, fisiológicas, alvos moleculares e mecanismos que levaram a comunidade científica à descoberta de formulações terapêuticas notáveis. Muito foi feito, mas há outro tanto ainda por fazer.

Quando falamos em saúde humana, a capacidade de aplicar o conhecimento ganha toda uma nova complexidade, pois qualquer inovação a este nível tem de percorrer um caminho feito de várias etapas – testes laboratoriais, testes pré-clínicos, ensaios clínicos, submissão às autoridades, aprovação, registo e comercialização. No seu decurso, surgem sempre evoluções científicas relevantes, é certo, sistematizadas por múltiplas publicações científicas, um pouco por todo o mundo, que reflectem aprendizagens que podem ser aplicadas na prática clínica pelos profissionais de saúde.

Mas também essas evoluções levaram o seu tempo… Bem sei que são passos necessários, mas também reconheço que há espaço para acelerarmos a introdução das inovações no mercado, colocando as pessoas no princípio da equação e focando-nos no bem comum, nos benefícios de que falava anteriormente.

Para o fazermos, julgo que as organizações devem colocar o valor que acrescentam no centro das suas actividades, pois ao fazê-lo conseguem identificar oportunidades que os números nem sempre conseguem descortinar. Este valor permite às organizações verem a realidade de uma perspectiva diferente, daí ser fundamental valorizar a diversidade e a inclusão de múltiplas fontes de conhecimento: doentes, parceiros, fornecedores, mas também um quadro de colaboradores com diferentes formas de pensar, que complementam a orientação da equipa. Se a isto acrescentarmos uma gestão descentralizada, autónoma, próxima dos stakeholders, dos doentes e dos especialistas, as organizações terão todas as condições para fazer um trabalho favorável às comunidades onde estão inseridas.

É a riqueza e a multiplicidade de perspectivas que permite às organizações acederem ao conhecimento actual, que é vasto e está disperso. Nos dias de hoje, dificilmente uma entidade ou indivíduo conseguem resolver problemas por si. Há que ter a humildade de reconhecer que o progresso depende do trabalho em equipa, quer a nossa participação seja feita na liderança ou em co-criação. Foi este o princípio que a empresa para a qual trabalho – a Takeda – seguiu quando, há dois anos, decidiu refazer o seu fluxo de inovação. Recentrou os seus esforços em terapêuticas que oferecem um benefício diferenciado aos doentes – em boa parte relacionadas com doenças complexas ou com necessidades não atendidas – e abriu o processo de investigação e desenvolvimento à sociedade. Deixou de importar a origem do conhecimento e dos avanços, mas sim a evolução dos desenvolvimentos e o benefício para os doentes.

Em resultado, e no espaço de um par de anos, a companhia conseguiu fazer evoluir 29 princípios activos e tem um pipeline de inovação composto por 44% destas moléculas desenvolvidos em parceria. A receita para estes resultados não é o dinheiro nem a capacidade de investimento, mas a conjugação de valores como integridade, honestidade, perseverança e justiça, que favorecem o trabalho em parceria.

 

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