Arquitectura comunicacional

No actual mundo VUCA, as empresas têm que encontrar soluções para a redução dos custos e prazos de entrega, sem que a capacidade de motivação dos públicos internos seja comprometida.

 

Por Vânia Guerreiro, directora de Marketing e Comunicação do Grupo Multipessoal


A imagem de uma organização no mercado é fortemente construída pelas percepções dos seus públicos. A coerência e a convergência entre a imagem pretendida, a autoimagem e a imagem percebida por todos os públicos estratégicos de uma organização são indissociáveis, quando o objectivo é alcançar o sucesso da comunicação organizacional. Porém, a exigência dos mercados, no actual mundo VUCA, exige que as empresas encontrem soluções para a redução dos custos e prazos de entrega, sem que a capacidade de motivação dos públicos internos seja comprometida, enquanto se empenham para serem compreendidas e reconhecidas pelos seus públicos externos. Para que tal seja possível, é necessário projectar, de forma estratégica e robusta, toda a arquitectura comunicacional.

Sabemos que já existem mais de 360 milhões de pessoas activas no mundo virtual, e o utilizador comum está ligado cerca de seis horas e meia por dia, segundo dados disponibilizados no mais recente estudo da Hootsuite. Em simultâneo, as pessoas tornam-se cada vez mais conscientes do impacto do online e daí surgem dúvidas sobre o modo como a evolução digital as pode afectar. Cibercrime, desinformação, notícias falsas, o apelo ao clickbait e outros métodos semelhantes, utilizados por organizações que operam no mundo virtual desprovidas de senso de ética, têm vindo a descredibilizar, de forma progressiva, o universo digital.

Neste contexto, é necessário que a comunicação organizacional seja feita de modo a desconstruir mitos e a reconstruir a confiança dos consumidores no universo online. Para tal, tem de obedecer aos mesmos valores, online e offline: rigor, substância, pertinência e transparência. Só assim os consumidores e clientes entendem que, por exemplo, o processamento dos seus dados pessoais serve para que as empresas consigam proporcionar experiências personalizadas e valorosas dentro e fora da rede. Algo que todos os consumidores cada vez mais procuram, mas que não gostam de facilitar, porque já não confiam nas fontes de (des)informação.

É hoje imperativo que a actividade de comunicação das organizações se estenda para lá dos tradicionais métodos de marketing, dando espaço a uma comunicação estratégica through the line, explícita e consistente em todos os formatos e canais – above the line, bellow the line e beyond the line que possibilite a credibilização das mensagens e a consequente angariação de leads qualificadas para a criação de bases de dados sólidas, fundamentais para a actuação e diferenciação competitiva das organizações.

Estas adaptações contribuem para que a empresa seja foco de um VUCA positivo – estruturado numa visão (vision) alargada mas com bases factuais, organizadas e de fácil actualização e acesso, que contrariam a volatilidade e incerteza; possibilitando maior entendimento (understanding) dos públicos, internos e externos, e por isso clarividência (clarity) e mais espaço para inovação e para agilidade (agility), adaptadas à complexidade e ambiguidade que se vive, atualmente, nas organizações.

O estratega de comunicação deste VUCA positivo tem de ser um verdadeiro arquitecto comunicacional, capaz de reunir capacidades analíticas, sensibilidade social e uma agilidade diferenciada.  O apuramento e a congruência de todas as mensagens, textuais e visuais, bem como, a sua boa articulação, contribuirão seguramente para que possa elevar a comunicação a um nível de eficiência que projecte de forma eficaz uma imagem organizacional credível, junto de todos os seus públicos estratégicos.

Este artigo foi publicado na edição de Abril da Human Resources.

 

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