Barómetro: Burnout, um tema cada vez mais crítico nas empresas

Mais de metade dos especialistas do Barómetro admite que, apesar de o burnout não ser ainda um tema na sua empresa, já existem sinais de alerta. Descubra quais as principais causas.

 

Por Ana Leonor Martins

 

Segundo o inquérito EU-OSHA, o stress relacionado com o trabalho é o segundo problema de saúde mais referido na Europa. No entanto, quatro em cada 10 trabalhadores europeus sente que este tema não é devidamente abordado nos seus locais de trabalho. De forma geral, stress traduz a incapacidade de um indivíduo lidar com determinada situação em que se encontra, havendo um desequilíbrio no julgamento entre as exigências que enfrenta e as capacidades que considera necessárias para as cumprir. O expoente máximo deste stress é o burnout.

Actualmente, a generalidade dos autores considera o burnout como um esgotamento físico e mental ligado ao exercício da profissão, que resulta de stress profissional prolongado ou crónico, caracterizando-se por falta de energia ou exaustão, distanciamento face à actividade profissional e perda de eficiência.

A síndrome de burnout foi descrita pela primeira vez em 1974, pelo psiquiatra e psicoterapeuta americano Herbert Freudenberger, que constatou que alguns dos seus colaboradores apresentaram, após um ano de actividade, desmotivação, queixas somáticas (como dores nas costas ou dores de cabeça) e mudanças de humor. Inicialmente identificada em profissionais da saúde, o conceito estende-se agora a várias actividades profissionais, nomeadamente aos gestores.

Assim, quase dois anos depois de termos abordado o tema pela primeira vez no Barómetro Human Resources (Janeiro de 2017), o burnout volta a estar em destaque, para percebermos como evoluiu a percepção dos profissionais sobre esta tema e a sua relevância nas empresas. O outro tema em destaque na 24.ª edição do Barómetro é a Employee Experience.

Estes temas, como habitualmente, foram analisados pelo painel de especialistas do Barómetro Human Resources, composto por mais de 150 profissionais, maioritariamente directores de Pessoas (75%), mas também presidentes/ chief executives officers (10%) e directores de Marca/ Comunicação e/ ou Marketing (15%), que responderam a um questionário elaborado pela redacção, com o objectivo de aferir tendências em temáticas relevantes para a Gestão de Pessoas em Portugal.

 

Os resultados

À pergunta “Qual o grau de criticidade que o burnout está a assumir nas empresas em Portugal”, a maioria dividiu-se entre afirmar que é “significatico” (31%) e “razoavelmente significativo” (31%), sendo que 16% acredita ser “muito significativo”. De referir também que nenhum especialista considerou que o tema é “nada significativo” ou “indiferente”, enquanto 22% é de opinião que é “pouco significativo”.

Quando, no início de 2017 colocámos questão semelhante ao mesmo painel, verificamos que é um tema que está a assumir maior relevância nas empresas em Portugal, sendo que a percentagem de inquiridos que respondeu ser “muito significativo” aumentou cinco pontos percentuais (pp). Por outro lado, há dois anos, houve quem considerasse o burnout como “pouco significativo” (9%) ou até “irrelevante” (4%).

Quando particularizamos, questionando se “na sua empresa, em particular, este tema constitui um desafio”, o “tom” muda consideravelmente, com mais de metade do painel (51%) a afirmar que “ainda não é um tema, mas já existem sinais de alerta”, enquanto 22% admite que “sim, mas por enquanto pouco significativo”. Apenas 13% dos inquiridos reconhece que constitui um desafio “bastante significativo”, sendo que 11% afirma que não.

Em relação às principais causas para o burnout (de referir que, nesta pergunta, os inquiridos puderem escolher até três opções), surgem duas bastante destacadas: o desequilíbrio entre a vida pessoal e profissional (worklife balance/ integration) é o mais referido, com 64% das respostas, logo seguido pelo excesso de trabalho (60%, mais seis pp do que em 2017). Com quase metade das respostas, mas em terceiro lugar, surge a indefinição dos responsáveis ou de responsabilidades e a ausência de metas ou objectivos claramente definidos (33%), seguido de perto pela falta de uma cultura de aceitação do erro (31%).

Conheça os resultados na íntegra na edição de Dezembro da Human Resources, nas bancas e leia a opinião de três especialistas sobre os temas em análise no XXIV Barómetro Human Resources: Isabel Borgas, directora de Comunicação Corporativa e Sustentabilidade da NOS; Nuno Ribeiro Ferreira, director de Recursos Humanos da Efacec; e Ana Salomé Martins, directora de Pessoas e Comunicação da Nors.

 

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