Liderar a mudança

A Bosch está focada em liderar a transformação digital “de todas as coisas e em todos os domínios”. Portugal está na vanguarda dessa mudança e, por isso, está a investir cada vez mais na criação de conhecimento crítico e na inclusão de novas competências nas suas equipas.

 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

 

Veio para Portugal em 1911 mas só na década de 80 começou a crescer no nosso País. Hoje, a Bosch, com mais de 5500 colaboradores (cerca de 3500 pessoas na área de Soluções de Mobilidade; 1700 na área de Tecnologia de Energia e Edifícios; e 400 nos Serviços) é um dos principais empregadores e também exportadores do País. Actualmente têm três unidades de produção, em Braga, Aveiro e Ovar, mais uma área de serviços partilhados em Lisboa, através da qual estão a implementar e apoiar processos de Recursos Humanos na Europa.

Carlos Ribas defende que Portugal tem todos os factores essenciais para ser um epicentro tecnológico e uma referência neste domínio. Prova disso é que a Bosch Portugal, que lidera desde Agosto de 2015, é hoje muito mais conhecida pelo “Invented em Portugal” do que pelo “Made in Portugal”. E não tem dúvidas de que a relevância crescente que têm adquirido no Grupo, a nível mundial, «é sobretudo pelo talento, dedicação, competência e resiliência» da sua equipa que, apesar de cada vez maior, «continua a ser uma família».

 

Viveu grande parte da sua vida no estrangeiro, nomeadamente na República do Congo, Japão, EUA, Bélgica e França. O que o fez aceitar o desafio de liderar a Bosch em Portugal?

Liderar a Bosch em Portugal é para mim uma missão e, em simultâneo um privilégio, que abraço com enorme paixão e respeito pelos valores e princípios que esta fundação representa. Os desafios numa organização com estas caraterísticas são permanentes e apaixonantes. E estamos a atravessar um processo transformação muito significativo para a Bosch em Portugal.

Ter vivido em vários países, e em vários continentes, com diferentes realidades profissionais e culturais, fez com que percebesse que Portugal tem tudo para ser um país bem-sucedido. Tem talento, criatividade, vontade de apreender e, o mais importante, tem boas pessoas.

 

Quanto assumiu este cargo, há três anos, quais eram os principais desafios?

Viviam-se tempos desafiantes. Estávamos num período pós-crise, num clima de desconfiança económico mas que, para nós, na Bosch, era já uma época de aposta no crescimento. Desde então, ampliámos, significativamente, as nossas instalações em todas as localizações em Portugal. Sabíamos que o caminho passava pela reinvenção e pela restruturação de algumas áreas de negócio.

Deixámos de ser localizações apenas de produção e passámos a criar soluções, através de centros de investigação e desenvolvimento tecnológico nas áreas da mobilidade, casas e cidades inteligentes. Com a produção estamos muito dependentes da flutuação dos mercados. A consolidação só chega quando detemos conhecimento crítico nas nossas equipas e somos capazes de criar, inventar e desenvolver. É aqui que reside a inteligência do negócio. Investimos como nunca e, desde 2015, contratámos mais de 1500 colaboradores.

Temos dado, com satisfação, um contributo positivo à economia nacional e local. Com o contributo de todos os colaboradores, conseguimos alcançar resultados recorde de forma consistente, conquistamos novos mercados e estamos a consolidar a presença da Bosch como referência em Portugal, nas áreas de manufatura, investigação e desenvolvimento de tecnologia. Não podemos esquecer também a área de serviços partilhados, que opera a partir de Lisboa para vários mercados internacionais.

 

Como é que Portugal foi ganhando relevância no grupo? Quais os factores que têm feito a diferença?

Não é difícil de explicar essa conquista: é sobretudo pelo talento, dedicação, competência e resiliência da nossa equipa. Existe vontade de demonstrar que, em Portugal, se faz um trabalho de excelência. As nossas unidades foram já premiadas no CES [Consumer Electronics Show] pela sua inovação e estão frequentemente entre os galardoados da EFQM – European Foundation for Quality Management – pela excelência dos nossos processos.

Além disso, somos também premiados a nível interno e reconhecidos pelos clientes, o que nos faz acreditar que damos um contributo importante à Bosch a nível mundial. Facto é que os investidores e as empresas veem Portugal como um país atractivo. As parcerias que estabelecemos com universidades, instituições não-empresariais e com o próprio Governo são também um factor de confiança e estabilidade para o Grupo Bosch.

(…)

Tendo mais de 5500 colaboradores, quais os principais desafios de gerir uma “massa humana” desta dimensão?

Temos pessoas competentes em todas as localizações, que fazem um trabalho extraordinário. Não sendo uma máquina autónoma, porque felizmente falamos de pessoas, é um desafio que acaba por não ser complicado. A vantagem de trabalhar numa organização como a Bosch é que todos percebemos e trabalhamos para uma mesma missão. As pessoas sentem-se parte de uma família e reconhecem que existe uma preocupação real com cada uma delas e quando assim é, torna-se mais fácil.

 

Os serviços partilhados de Recursos Humanos estão em Lisboa desde 2017. Foi mais uma “vitória” para Portugal. Qual a importância que esta área em particular assume no negócio?

Foi uma conquista muito importante. Quanto mais competências conseguirmos conquistar para território nacional, maior é o nosso poder negocial e de argumentação em relação a outros países. Em Lisboa não temos produção ou desenvolvimento, mas estamos a apostar fortemente nos serviços. Com essa aposta, já conseguimos contratar mais de 150 pessoas em pouco mais de três anos, e a previsão aponta para mais crescimento nesta área.

 

Quais são as vossas prioridades em termos de Gestão de Pessoas?

Este é provavelmente o ponto mais importante das organizações e, em particular, de organizações com a dimensão da Bosch. Temos uma enorme responsabilidade neste domínio. São muitas famílias que dependem de nós e que contam connosco para que haja estabilidade nas suas vidas. Procuramos proporcionar as melhores condições possíveis dentro e fora das nossas instalações, e temos uma preocupação constante com a formação, o desenvolvimento e o bem-estar dos nossos colaboradores.

Mas é um facto que os nossos perfis são muito variados e isso requer uma atenção redobrada para manter os colaboradores motivados, envolvidos com a cultura da empresa e apaixonados pelos nossos projectos.

 

Leia a entrevista na íntegra na edição de Outubro da Human Resources, nas bancas.

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