Não basta parecer, é preciso ser digital

Ao investir o seu escasso e valioso tempo na melhoria da “fachada” de inovação tecnológica, e ignorar o “interior da habitação”, questionar-se-á, no longo prazo, do paradeiro dos (prometidos) resultados.

Por Teresa Ribeiro, directora de Marketing na bwd

 

Inteligência artificial, cibersegurança, realidade aumentada, realidade virtual, big data, data science, data mining, robotic process automation, machine learning, blockchain, internet of things, business intelligence… Esta é a lengalenga dos tempos modernos que a todos nos tem diariamente perseguido. Por todo o lado proliferam os evangelizadores de novas e de velhas tecnologias e os eventos que fazem futurologia, prometendo prever tudo o que de mais avançado e espectacular vem aí e que nós estamos anos-luz de adivinhar, ou meses luz, porque tudo agora corre a um ritmo impossível de acompanhar, para nós que trabalhamos das 9h às 6h. Se é que alguém ainda trabalha das 9h às 6h. Trabalhamos 24 sobre 24 horas. Temos computador, grupo do skype, grupo do whatsapp, rede social profissional, portal interno da empresa, newsletter da empresa, telemóvel (a maioria de nós mais do que um, com os quais temos uma relação Conan-Osiriana), os staff meetings e reuniões gerais, tudo isto a acumular com os dias de férias que temos para gozar desde há dois anos atrás e aquela formação que andamos adiar por falta de tempo.

Quando finalmente surgir aquela brecha milagrosa no horário e tivermos a hipótese de ficar a saber mais sobre aquela solução ou ferramenta de que ouvimos falar e que estamos certos de que fará toda a diferença na nossa produtividade e no dia-a-dia da empresa, é crucial não nos deixarmos levar pelo que parece bonito, fácil e rápido. É claro que é interessante termos app’s. É claro que queremos ver nos nossos colaboradores e clientes o entusiasmo de sentirem o pulsar de uma organização que respira inovação, mas se tudo o que estiver por detrás deste resultado final que é palpável não estiver bem organizado, e se as reais necessidades da empresa não tiverem sido claramente compreendidas e identificadas, e a sua estratégia mapeada conjuntamente com quem deste processo vai colher os frutos, toda a jornada para chegar a esta interessante etapa em que tem o poder e a disponibilidade de agregar valor e inovação, terá sido em vão.

Poderá até não sentir os efeitos de imediato, mas ao investir o seu escasso e valioso tempo na melhoria da fachada de inovação tecnológica da empresa e ignorar o interior da habitação, questionar-se-á, no longo prazo, do paradeiro dos (prometidos) resultados e desenvolverá uma alergia e uma resistência a todo este processo de transformar digitalmente a sua organização, e provavelmente até desistirá. Estará sempre no quase e no querer ser. A confirmar a existência de muitas “casas” em Portugal que não chegam a concretizar a sua vontade de inovar está o recentemente divulgado ranking da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), que revela que as 50 empresas ou grupos com mais investimento intramuros em inovação e desenvolvimento (I&D) «foram responsáveis por 61% da despesa total em I&D do sector empresarial».

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