O custo da desmotivação

A desmotivação no trabalho, porque pautada por uma baixa produtividade, acarreta custos reais e palpáveis às empresas. E a pergunta que se impõe é: ‘afinal, quanto é que este tipo de “trabalhador-sabotador” custa à empresa?

 

Por Margarida Bonito, coach de Relações Laborais 

 

A relação laboral é, como sabemos, composta por duas partes: empregadores e trabalhadores sujeitos, como fruto de qualquer contrato, a deveres e obrigações. Os traços característicos desta relação contratual são: a prestação de trabalho, por parte do trabalhador; e a correspondente prestação salarial, a cargo do empregador. Sendo a relação de trabalho composta por prestações que se alimentam reciprocamente (trabalho e salário), ela deve, por isso, ser justa e equilibrada para ambas as partes.

Até aqui nada novo. Idealmente, os trabalhadores sentir-se-ão felizes, integrados e ouvidos. Absolutamente em linha com o padrão cultural da empresa, no que toca a valores e comportamentos. Ao vestir a camisola, estes trabalhadores encaram a empresa quase como se fosse sua; apresentam soluções, não esperam que se lhes diga o que têm de fazer e querem sempre fazer mais e melhor. Acontece que nem sempre assim é.

No artigo anterior (Desmotivação no trabalho: vamos a contas?), vimos que a relação laboral se desequilibra – e muito! -, se a trabalhar estiverem pessoas “actively not engaged” (ou trabalhadores-sabotadores); descontentes e desmotivadas; sem energia ou paixão; a sabotar tarefas e colegas e a produzir pouco. E é este é o cenário em que, silenciosamente, a relação laboral se vai descompensando. Silenciosamente porquê? Porque, se, por um lado, os “sabotadores” são peritos em justificar o seu fraco desempenho, culpando colegas, hierarquia e até economia nacional; por outro, os empregadores são, muitas vezes negligentes no acompanhamento de tarefas e ausentes no reconhecimento e incentivo ao bom trabalho.

A desmotivação no trabalho (isto é, a ausência de vínculo emocional entre o trabalhador e a sua empresa) não se traduz, apenas, num sentimento de sacrifício e de obrigação do trabalhador para com a sua entidade patronal. A desmotivação no trabalho, porque pautada por uma baixa produtividade, acarreta custos reais e palpáveis às empresas. E a pergunta que se impõe é: ‘afinal, quanto é que este tipo de “trabalhador-sabotador” custa à empresa? Quanto é que nos custam estes desempenhos pobres e muito pouco frutíferos?

De acordo com a Gallup, um trabalhador-sabotador custa à sua empresa $3,400 por cada $10,000 de salários pagos. Isto significa que 34% do salário anual de uma pessoa desmotivada, é puro desperdício, deixando de haver retorno ao investimento que o salário, nesta reciprocidade, representa. Exemplifiquemos: na empresa ABC trabalha o funcionário Manuel, que encaixa na categoria dos desmotivados, infelizes e que pouco produzem. Supondo que o salário anual do Manuel é de €12,000, €4,080 são desperdício. E se o Manuel trabalha numa equipa de mais 49 pessoas, 14% caem nos “sabotadores” (de acordo com a Gallup, estes são as percentagens do nosso país: 16% “engaged” – trabalhadores que vestem a camisola; 70% “not engaged” – trabalhadores tanto-lhes-faz; 14% “actively disengaged” – trabalhadores-sabotadores), tal significa que, anualmente, a empresa ABC se arrisca a perder €28,560. Surpreso?! Pois bem, saiba que aquele desperdício é, apenas, o custo de escolher nada fazer e deixar que o destino se encarregue de traçar o rumo do seu negócio.

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