O que têm o NOS Alive e a Gestão de Pessoas em comum?

O NOS Alive 2019 começou ontem mas antes, dia 10 de Julho, a Randstad convidou a Human Resources para ir conhecer o seu espaço no festival de música. José Miguel Leonardo, CEO da empresa especialista em Recursos Humanos, explicou esta aposta. E Alvaro Covões, director-geral da Everything is News, salientou o que este evento tem em comum com a Gestão de Pessoas.

Por Ana Leonor Martins

 

Esta é a sexta vez (desde 2014) que a Randstad Portugal marca presença no NOS Alive, que reúne cerca de 150 mil pessoas durante os três dias de festival. E é isso que justifica a presença da empresa de Recursos Humanos neste evento – «trazer a Randstad para perto das pessoas; é essa a natureza do nosso negócio», começou por destacar José Miguel Leonardo, no evento “O talento atrás do palco”, promovido pela Randstad, no Passeio Marítimo de Algés, no dia anterior ao início do festival.

Lembrou que o desemprego baixou de 17%, num passado recente,  para 6%, e isso trouxe um novo problema às empresa, «mas que é um problema bom de se ter, a dificuldade em atrair talento. Verifica-se também uma desadequação entre o que as empresas procuram e as competências disponíveis no mercado», constatou, acrescentando que «a Randstad assume uma posição eclética, fazendo um pouco de tudo que possa somar valor às empresas, tendo as pessoas no centro da equação».

E, salientando que a Randstad emprega cerca de 30 mil pessoas por dia, sublinhou ainda que, mensalmente, o número de candidatos que se inscrevem é elevado, cerca de 20 mil, e também por isso é importante manter a proximidade com as pessoas, nomeadamente as 150 mil que vão ao Alive. «É importante estar junto das pessoas de forma descontraída, apesar de o emprego ser um assunto sério.» Por outro lado, «também é um orgulho para as nossas pessoas estar aqui», concluiu.

De referir que o mote da activação da Randstad para este ano é #everydayhero, pois todos nós, no nosso dia-a-dia profissional, temos de ser um bocado super-heróis.

 

O talento atrás do palco
Álvaro Covões, director-geral da empresa de organização de espectáculos que promove o NOS Alive fez notar que, de um terreno onde não existe nada, se cria, em menos de um mês, uma cidade, com todas as infraestruturas e que, inclusive, em termos de consumo de telecomunicações, por exemplo, ultrapassa a cidade de Aveiro. E, ainda que não seja o desígnio principal do festival, exige um trabalho de gestão de pessoas muito relevante, e que cada vez funciona melhor», afirmou.

Reconhecendo que a área de Gestão de Pessoas tem sido algo desprezada, salientou que é «uma área absolutamente fundamental, pois é preciso ter equipas com vontade de trabalhar, porque o nosso sector é bastante exigente, semelhante ao da Hotelaria, sem horários, o que implica ter pessoas que gostem daquilo fazem e que isso lhes traga realização e não seja apenas um emprego para pagar as contas.

Mas como se planeia um evento desta dimensão?: «Começa-se por contratar os artistas, o que chega a ser feito com 18 meses de antecedência; depois entra a questão política, de garantir que temos o espaço disponível para realizar o evento; o passo seguinte é a angariação de patrocinadores, muito importante para conseguir vender os bilhetes a um preço acessível; também importante é o trabalho de Marketing que é feito de diferenciação do festival, sendo fundamental ir à procura das necessidades dos consumidores, que foi o que levou, por exemplo, à introdução de palcos com outro tipo de espectáculos (como o Comédia e o Fado), ou ainda a criação de uma espaço para grávidas.

 

E aqui entram as semelhanças como o mundo da Gestão de Pessoas. Alvaro Covões explica:

– Como nas empresas, precisamos manter os festivaleiros, e também as pessoas que trabalham connosco, felizes e satisfeitas, para os conseguirmos fidelizar (o que nas empresas equivale a reter talento).

– Os festivaleiros nunca ficam satisfeitos, porque, como há muita coisa a acontecer, fica sempre a sensação de que ficou alguma coisa por ver, e isso fá-los voltar aos nossos espectáculos; nas empresas, também é fundamental que as equipas trabalhem e que fiquem com vontade de fazer mais, de passar ao desafio seguinte, mantendo-se motivadas.

– Também precisamos assegurar todo o apoio, com serviços, infra-estruturas – garantir que há comida, bebida – e conforto. Temos todo o recinto com tapete relvado, para maior conforto dos festivaleiros, comida e bebida em vários pontos, etc. Nas empresas, o equivalente será proporcionar espaços onde os colaboradores se sintam bem, e também ter zonas para relaxar, até porque está provado que, com pessoas felizes, a produtividade aumenta.

– Tal como as empresas, também temos projectos de Responsabilidade Social. Em 2017, ano de criação do Alive, estava muito na moda a questão da pegada ecológica, mas não basta plantar árvores, é preciso cuidar delas, e por isso resolvemos apostar antes nas pessoas. Financiamos bolsas de investigação científica; somos um case study internacional.

– Em termos de sustentabilidade, o lixo do festival é usado para fazer mobiliário urbano, que inclusive usamos no festival. Ou seja, os resultados estão à vista de todos.

– A Segurança no Trabalho também é um tema importante para nós. Trabalhamos com as principais forças de segurança e conseguimos monitorizar tudo o que acontece no festival, conseguindo dar resposta rápida a eventuais acidentes.

– Apesar de sermos um país excessivamente regulamentado – o que traz bastantes dificuldades a quem quer empreender – defendo que os gestores devem ser responsáveis. E por isso, desde 1995 que impus uma auto-regulamentação aos nossos espectáculos – não vender bebidas destiladas.

– Por fim, a nossa actividade é geradora de emprego. Temos mais de uma pessoa a trabalhar por cada dez festivaleiros, o que equivale a mais de 5000 pessoas a trabalhar no festival.

 

 

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