O uso saudável da Inteligência Emocional e Relacional

Em geral, as pessoas não sabem ouvir, não sabem colocar-se no lugar do outro e não sabem falar de um modo em que a comunicação seja clara.

Por Raul de Orofino, actor-orador e professor de inteligência Emocional e Relacional

 

Aprendi com o meu terapeuta, que também é médico, que “todas as células contêm inteligência, afecto e sensibilidade” ou seja, quando andamos, comemos ou conversamos, a inteligência, o afecto e a sensibilidade estão sempre presentes.

Aplicar exercícios psicofísicos nos formandos fez-me desenvolver uma maneira prática de inteligência emocional, trabalhando, assim, as células, porque um trabalho corporal é realizado. Ou seja, ao mesmo tempo que sente o seu corpo a ser trabalhado, pensa e também se emociona. Está tudo ligado. Após cada exercício psicofísico, converso com o grupo e oiço o que  têm a dizer. É feito um trabalho de consciencialização entre aquilo que é sentido, ligado à necessidade de liderar, vender ou trabalhar em equipa com mais qualidade.

Os formandos rapidamente percebem que têm que mudar os seus “maus hábitos” – não sabem ouvir, não sabem colocar-se no lugar do outro e não sabem falar de um modo em que a comunicação seja clara.

Para desenvolver a nossa inteligência emocional e relacional é fundamental que aprendamos novamente a ouvir, inclusivé os nossos silêncios e os dos outros. Ao escutar o silêncio, permitimos que o hemisfério direito do cérebro, que é o nosso lado emocional, comece a vibrar e passe a enviar informações que podem ser “ouvidas”. Quando estamos calados, podemos olhar a vida em redor, termos sensações e, ao mesmo tempo, também pensamos.

Para começarmos a ouvir é necessário termos a consciência de que estamos vivos agora. Poder ouvir o momento presente quando uma pessoa está na nossa frente é básico. Mesmo que seja uma pessoa que se conhece há anos. Temos sempre a pretensão de que sabemos tudo dessa pessoa, mas garanto que as pessoas podem surpreender-nos sempre.  Vai com certeza ser diferente se encontrarmos essa pessoas depois de discutir com a esposa ou depois de o filho dizer “amo-te”. Mesmo aquela pessoa que acha que é arrogante, se olhar com mais atenção pode perceber outras coisas. Ninguém é apenas arrogante.

Muitos de nós vivem no que chamo de “modo automático de viver”.  Podemos sair dessa automação e passar a perceber coisas que antes não víamos. Por exemplo: uma formanda após um exercício psicofísico descobre que o seu colega que trabalha na mesma sala que ela há oito anos tem os olhos verdes, e ela nunca tinha se dado conta disso. Muitos formandos contam que se tornam menos ansiosos e que já não querem falar ao mesmo tempo que os seus colegas. Adquirem um novo prazer na maneira de conversarem.

Num follow-up realizado dentro de uma empresa de Seguros, depois de três de meses de formação, uma colaboradora que não participou pediu para estar presente no follow-up, pois queria entender melhor o que tinha acontecido com a sua equipa. Conta que percebeu que as pessoas estavam com atitudes mais positivas e com mais paciência umas para as outras. Assim, ela própria acabou por se sentir à vontade para se expressar de forma mais aberta com os colegas, porque percebeu que “o barco era outro”.

Ficou claro que o trabalho mental-celular desenvolvido pelo grupo influenciou o funcionamento das células da tal colaboradora, pois também ela mudou as suas atitudes. Já ouvi depoimentos de pessoas que recuperaram relações de trabalho, e até os seus casamentos.

Se tem a oportunidade de sair do modo automático e começar a saborear a vida no momento presente, terá mais vontade de ser produtivo e feliz.

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