Opinião: As empresas do século XXI

Há dez anos, tecnologias como a cloud eram uma miragem para a larga maioria das organizações e, hoje, são o “novo normal”. O que mudou? Tudo.

Por Hugo Oliveira, director de Entreprise Market da Sage

 

Os últimos dez anos foram repletos de mudanças que estão a alterar dramaticamente o dia-a-dia das empresas em todo o mundo. E Portugal não é excepção.

A realidade mudou. Actualmente, há que ter em conta diversos aspectos que condicionam a vida das empresas. Não falamos apenas de processos mas, também, de recursos humanos. A transformação digital obriga as empresas a adaptarem as suas práticas para ir ao encontro dos desejos, objectivos e exigências cada vez maiores de um stakeholder cada vez mais sofisticado: os colaboradores.

A transformação digital vem desempenhar um papel fundamental na realidade diária das empresas pois impacta tanto os processos como os colaboradores. As empresas encontrarão aqui tecnologias fundamentais como a inteligência artificial e o big data. O big data é a chave para o sucesso porque, hoje em dia, uma empresa que não saiba gerir os seus dados não será uma empresa eficiente, e estará inevitavelmente condenada ao fracasso. E poderá ser responsabilizada caso estes dados venham parar a “mãos alheias”.

Estima-se que, dentro de dois anos, com o advento dos carros autónomos, sejam processados todos os dias quatro mil pettabytes pelo que urge perceber como armazenar e, mais importante, processar tamanha quantidade de dados.


Os processos: três fases
Comecemos, então, pelo ponto de vista dos processos. A transformação das empresas está em curso e tem vindo a conhecer desenvolvimentos muito interessantes. Os primeiros passos foram dados pela transferência do e-mail dos datacenters físicos, onde se podia aceder, para a cloud.

A segunda fase passou pela desmaterialização dos processos, ou seja, a digitalização das tarefas e o fim do papel nas empresas. Esta fase é também muito interessante porque permitiu, além de elevadas poupanças financeiras através de uma maior eficiência, a introdução de práticas mais sustentáveis, algo que é urgente continuar a disseminar.

Por fim, a terceira fase, que se encontra a decorrer neste momento: a automatização da indústria e a robotização dos trabalhos rotineiros. Qual o futuro para o ser humano? Há diversas abordagens – por enquanto teóricas – mas destaco o facto de que a transformação digital permitir que o ser humano se preocupe com tarefas que exijam maior raciocínio, sendo que as tarefas repetitivas ficarão a cargo dos robôs (ou seja, autómatos).

Será que isto ameaça milhares de empregos em todo o mundo? Sim e não. Gera igualmente novas oportunidades de se criar empregos com mais valor e melhor remunerados, o que é positivo.

 

Os colaboradores: dois grandes desafios
Os colaboradores devem ser outra preocupação para as empresas neste processo tão complexo que é a transformação digital. Há, do ponto de vista da empresa, dois grandes desafios na gestão deste tema junto dos colaboradores. O primeiro passa pelas competências técnicas. Nunca foi tão importante que as empresas deem formação contínua a todos os colaboradores e obrigá-los a desafiarem os seus próprios limites. A transformação digital abarca um sem número de novos conceitos, na sua maioria bastante complexos, o que implica maior formação para todos os colaboradores.

O segundo grande desafio, este potencialmente mais difícil e complexo de gerir, são as emoções. Como preparar os colaboradores para esta mudança e ajudá-los a evoluir? Este é, sem dúvida, um dos maiores desafios para toda a sociedade, visto que ser substituído ou dispensado foi, é e sempre será, o maior receio do ser humano.

 

Por fim, resta dizer que antes dos desafios enumerados em cima, o papel dos gestores e as suas capacidades de gerir os seus recursos humanos nesta transformação é um desafio por si enorme, que não pode ser menorizado.

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