Opinião: Coaching e ética

O tema de capa deste mês é a ética mas eu gostaria de vos falar sobre Coaching. Juntando as duas vontades, resolvi escrever sobre o que podem ter em comum.  Porque poderá fazer sentido falar sobre estes dois conceitos numa revista de pessoas e para pessoas? O resultado da minha pesquisa e reflexão é curioso. É isso que partilho convosco.

 

Por Carla Gouveia, senior Client Partner da Korn Ferry

 

Em todas as sociedades existem padrões culturais e morais que são difundidos e que permitem um convívio social ideal e equilibrado, num modelo de mundo quase perfeito. Os valores, associados a um comportamento ético, aplicam-se igualmente nos negócios e devem nortear as acções de todos os que trabalham com e para pessoas. Por isso, o conhecimento que advém de uma formação de excelência, e que normalmente combinamos com a experiência profissional, não é tudo o que o indivíduo precisa para ser respeitado, admirado e ter sucesso na sua carreira.

Também a conduta ética é traduzida em ganhos na credibilidade e confiança transmitidas pelo profissional ao mercado. Além disso, trabalhar guiado por valores éticos é cada vez mais relevante e diferenciador no mundo corporativo. E no Coaching não poderia ser diferente. A ética é essencial para uma relação de sucesso entre o coach profissional e o coachee (cliente). Os princípios que norteiam a conduta dos coaches estão baseados na ideia de respeito ao próximo, igualdade, responsabilidade e compromisso.

Como processo, o Coaching é um convite a sair da nossa zona de conforto, para nos questionarmos e questionarmos o nosso modo de pensar, de comunicar, de observar e de actuar. O Coaching permite-nos aprender novas respostas perante os desafios “antigos” e os novos. É um processo para desenhar o futuro e foi por isso que decidi falar-vos deste processo, tão rico quanto transformador.

Faz parte do Coaching um compromisso forte com os resultados, perante, obviamente, os objectivos do cliente coachee. Tanto coach quanto coachee devem estar atentos ao estabelecimento das metas, que devem ser claras. O cliente coachee deve expôr os seus limites e preferências. Já o coach deve delimitar com precisão os domínios da profissão e os parâmetros da relação. Ou seja, um compromisso ético bilateral.

Também cabe ao coach avaliar as chances de sucesso da meta apresentada pelo coachee e só se comprometer baseado na sua experiência e confiança. O coach tem o dever da confidencialidade profissional. Isso quer dizer que tudo o que for tratado e dito entre eles não deverá ser passado a outras pessoas sem prévia permissão do coachee. O mesmo ocorre na relação entre um coach e outro. A confidencialidade é uma garantia para sempre, sem limite temporal.

Para seguir uma conduta ética e profissional, o coach deve ser certificado por uma escola de Coaching profissional, apostar na supervisão de outros coaches, bem como ser capaz de se declarar coach para praticar a metodologia. Ter uma atitude de contínua aprendizagem, considerar o feedback que lhe dão como o maior activo que pode receber e ter sempre presente que o seu propósito enquanto coach é estar ao serviço do outro. É também uma consciência ética que tem de estar presente.

Quem ainda tem dúvidas sobre a riqueza deste processo, nada como experimentar. Deixo-vos a reflectir sobre algo que aprendi: Não se faz coaching à pessoa que temos à nossa frente. Faz-se coaching à pessoa que essa pessoa quer ser.

Nota: este artigo foi publicado na edição de Setembro da Human Resources.

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