Os novos desafios da liderança

Os ambientes puramente digitais propiciam uma cultura e uma liderança empresarial diferente. Nunca a comunicação foi tão importante para liderar.

Por Ana Margarida Ximenes, presidente da Atrevia Portugal

 

Vivemos na era da transformação digital. Nunca foi tão necessário mudar e de um modo tão rápido. A tecnologia está a transformar o mundo em que vivemos e trabalhamos. As novas regras reflectem-se nas mudanças de mentalidade  e comportamentos para liderar, organizar, motivar, gerir e criar engagement nos colaboradores. Há alguns anos, as mudanças organizacionais eram previsíveis. O top management podia decidir para onde e como ir. Hoje temos várias novas profissões e algumas ainda estão a ser inventadas. A mudança é permanente e acontece em contextos muito complexos e dinâmicos. As organizações são chamadas a recriarem constantemente os modelos de negócio, a reorientarem os processos de mudança diversas vezes e de formas que não são previsíveis.

Como consequência desta transformação, surgem novas formas de trabalhar. A mobilidade, o home office, a flexibilidade de horários, as ferramentas de colaboração e os ambientes alternativos, mostram que as organizações estão a investir em tecnologia que promova novos modelos de trabalho. Os ambientes puramente digitais propiciam uma cultura e uma liderança empresarial diferente. Não se trata apenas de implementar a tecnologia, mas de gerar mudança que acompanhe a tecnologia e crie o futuro desejado para as organizações. As ferramentas analíticas, cognitivas e as redes sociais tornam-se cada vez mais importantes para ligar pessoas e organizações. Nunca a comunicação foi tão importante para liderar.

Antes o papel de um líder tinha necessariamente que ter uma perspectiva a longo prazo. Hoje é difícil prever o futuro das organizações e qual o papel dos colaboradores. Os CEO´s estão preocupados em descobrir o que fazer a seguir para assegurar o futuro das organizações que representam. As estratégias top down já não são suficientes porque as alterações nas organizações são constantes.

A liderança centralizada é ineficiente, as estratégias desenhadas centralmente não reflectem o todo, a inteligência colectiva da organização e as decisões centralizadas são lentas. O CEO que acredita ser insubstituível está condenado. Os líderes passaram a depender dos talentos micro poderosos que gerem. Uma organização depende das pessoas que nela trabalham e não existe sem elas. Hoje a liderança é imperfeita, colaborativa e inclusiva. E é também uma liderança prescindível.

Neste novo ambiente, é crítico o desenvolvimento de líderes que alavanquem a capacidade digital da organização. A liderança digital é essencial e não pode ser delegada. Saber agir, pensar e agir no contexto digital são competências essenciais no papel de um líder, mas o contacto pessoal, o feedback contínuo, assim como autenticidade, os valores éticos e a conduta continuam a ser imperativos. O líder é uma espécie de motor da transformação da cultura empresarial.

As novas gerações trouxeram também a necessidade dos desafios na vida corporativa acompanharem o dinamismo das próprias vidas pessoais. Para enfrentarem estes desafios, as organizações têm que ter uma proposta de valor para atrair o talento certo, criando uma cultura que ajude a construir o seu futuro, e uma capacidade de se reinventarem e adaptarem constantemente neste contexto de mudança permanente.

Compete aos líderes comprometidos, exemplares, dinâmicos e comunicativos inspirarem os elementos da organização na procura de modelos disruptivos, capazes de quebrarem as fronteiras tradicionais e conduzirem os negócios no sentido da transformação digital.

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