Por que sofremos nas organizações?

Nada na natureza, incluindo o ser humano, está dependente de condições de domínio do mais forte sobre o outro para evoluir. No mundo das organizações esta falácia remeteu-nos para o sofrimento.

 

Por Paulo Vieira de Castro, director do departamento de Bem-Estar nas Organizações do I-ACT – Institute of Applied Consciousness Technologies (EUA)

 

Quando não cooperamos, quando já não aprendemos uns com os outros, sofremos. Trágico é pensar que hoje  isso acontece nas empresas, nas salas de aula, nas famílias…

Usemos como ponto de partida a ideia de aprendizagem. Apesar de ciente que hoje o podemos fazer em qualquer lugar, arrisco partir do conceito “escola”. Ela tem a sua origem na Grécia antiga: “skhole”. O latim fez dela “schola”.  Em todos estes  momentos se lhe consagra a ideia de debate. Mas escola  também significava  “folga ou ócio”. Onde terá sido que nos perdemos? Onde está essa escola do bem-estar e do debate? A frustração, a ansiedade, até mesmo algumas doenças comportamentais surgem deste desencontro. Por isso estamos – cada vez mais –  sós. E isso dói…

Já a  etimologia da palavra  cooperação remete-nos para o prefixo  “co” que quer dizer conjunto.  “Operação” vem do latim “operatione”. Daqui poderemos constatar a ideia de acção em conjunto. Por esta razão não haverá discussão construtiva, conversa ou negociação, sem espírito de cooperação e aprendizagem.

 

Razões históricas para um tal sofrimento

Há muito que defendo que, em especial nas relações humanas, a competição é o mais desnecessário dos mitos. Esta, a competição, é, historicamente, quanto a mim, a  verdadeira razão por que sofremos em todas as dimensões da vida humana. Por que é que isso acontece? Porque em tudo preferimos  a competição à cooperação. Isso está relacionada com um “ conveniente” erro em torno da teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, obra  publicada em 1859. Como assim?

Estamos em meados do século XIX e Darwin, surpreendentemente, descreve o modo como  tudo evolui na Natureza. A grande “extravagancia” resulta do facto dele considerar que a evolução é um processo independente da interferência divina. Esta é  realmente a ideia mais fraturante  de toda a sua obra, afastando-nos de ideias como sofrimento ou castigo. Segundo este autor, a evolução de todas as espécies depende disso mesmo: cooperação natural.

Eis-nos chegados ao ponto em que a ciência  económica, social e até a política se aproveitam de uma lamentável mentira em torno da Teoria da Evolução da Espécies  e de uma pretensa  “ lei do mais apto”.  Darwin provou, exactamente, o inverso do que por aí se afirma. A natureza é, afinal, bondosa. Todos os princípios de Darwin nos remetem para a solidariedade.  Ele  defendeu que a natureza, através de um mecanismo espontâneo, preserva as qualidades imprescindíveis à sobrevivência das espécies, libertando-as daquilo que as possa impedir de evoluir.  Assim se justificando a dita especialização e evolução natural. Nunca a “lei do mais forte”!  Onde será que o ser humano se perdeu?

Certo é que nada na natureza, incluindo o ser humano, está dependente de condições de domínio do mais forte sobre o outro para evoluir. No mundo das organizações esta falácia remeteu-nos para o sofrimento;, para comunidades injustas e modelos económicos irresponsáveis. E por aí vamos, infelizmente…

Cada espécie coopera, associando-se em torno da resolução de problemas comuns. Aprendendo, orienta-se para a sua própria natureza : o bem-estar da comunidade. Por que seria diferente nas organizações?

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