Qual é, afinal, o papel do líder?

Apenas 35% do legado de um CEO pode ser explicado pelos resultados financeiros. Os restantes 65% dizem respeito a critérios não financeiros como por exemplo a ética, a transparência ou a adesão a um propósito.

Por Suzana Rocha Pereira, reputation Practice Leader na Lift Consulting

 

«Liderar não é sobre o que ganhamos com os outros mas sobre o que os outros ganham connosco.» A afirmação é de James Kouzes, investigador americano na área da liderança, considerado pelo “The Wall Street Journal” um dos maiores formadores de executivos nos Estados Unidos. Mas quem são “os outros” que Kouzes refere? São todos os stakeholders da organização – clientes, colaboradores, fornecedores, etc. – isto é, o corpo e a alma da entidade que lidera.

E os ganhos? Bom, os ganhos de uma boa liderança são múltiplos e vão desde a promoção da compra de produtos ou serviços, à captação de investimento, passando pela capacidade de atrair e reter talento até ao, aparentemente simples, aumento da recomendação da empresa. No fim do dia, os ganhos são todos os comportamentos de suporte que um líder consegue potenciar e que estão directamente ligados à performance e à reputação da empresa.

Voltando à pergunta de partida, qual é, afinal, o papel do líder no valor do activo intangível mais valioso que uma organização pode ter – a sua reputação? Segundo um estudo recente desenvolvido pelo Reputation Institute (RI), o RepTrak, apenas 35% do legado de um CEO pode ser explicado pelos resultados financeiros. Os restantes 65% dizem respeito a critérios não financeiros como por exemplo a ética, a transparência ou a adesão a um propósito.

Ainda segundo a mesma entidade, o exemplo português não difere substancialmente da média global. Basta observar os resultados do RepTrak Portugal 2019, uma análise que avalia a reputação das empresas portuguesas com base em sete dimensões objectivas. As conclusões demonstram que a capacidade de “visão e liderança” pesa 13,3% no total da reputação das empresas portuguesas, um valor superior à média mundial em 2019 (12,7%), cuja tendência é também de crescimento.

Fonte: RepTrak® Portugal 2019

 

E de que é composta essa “visão e liderança”? Falamos de três atributos objectivos e que podem servir de base de reflexão para qualquer equipa de gestão: A organização tem….

  1. … um líder forte e respeitado?
  2. … excelentes gestores?
  3. … uma visão clara do futuro?

Note-se que, no que à reputação diz respeito, os stakeholders não respondem com base em factos. A resposta a estas perguntas é dada com base em percepções. E como se constroem as percepções? Com base nas experiências directas de cada um de nós, através do contacto com iniciativas das empresas e pela influência da opinião de terceiros.

Valerá então a pena conhecer as percepções dos públicos e corrigir o fosso entre a realidade corporativa, as expectativas dos stakeholders e a ambição interna da empresa. A elaboração de um diagnóstico é essencial para corrigir a rota e traçar o plano que leve não só a liderança, mas também a empresa ao porto da boa reputação. Um porto onde o desempenho de um CEO com base, exclusivamente, no retomo financeiro já não é suficiente. Um lugar onde o líder tem também de trabalhar a sua própria visibilidade em prol da organização que lidera. Um espaço onde afirmar o CEO na sua área de negócios implica comunicar a realidade e a ambição futura da empresa e destacar-se como um visionário no seu sector de actividade. Um tempo em que se tornou vital para os CEO saber comunicar. Porque não basta sê-lo. É preciso dizê-lo.

 

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