Quanto ganham homens e mulheres em Portugal?

As mulheres portuguesas têm, por norma, mais formação académica, mas continuam a receber salários inferiores aos dos homens. Esta é a principal conclusão de um estudo da Polar Insight sobre a flexibilidade laboral no país. Conheça os números.

 

Portugal continua a anos-luz da paridade. De acordo com uma análise da consultora britânica Polar Insight, em parceria com o Centro de Estudos sobre Pessoas e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica Portuguesa, entre os trabalhadores com salários abaixo dos 500 euros mensais, 75% são mulheres. Já 78,9% das pessoas com vencimentos mensais acima dos 3500 euros são homens.

No geral, 67,7% recebe entre 1001 e 1500 euros, podendo este valor ser considerado baixo quando comparado com o salário médio na União Europeia, mas elevado face ao vencimento mínimo nacional, de 600 euros.

O trabalho por conta de outrem (70,4%) continua a dominar em Portugal, segundo as respostas dos 757 inquiridos. Trabalhamos, sobretudo, a tempo inteiro (63,6%) e com horários fixos de entrada e de saída (48,9%).

Por outro lado, o trabalho a tempo parcial não é comum – apenas para 3,2% – e, quando ocorre, complementa o trabalho a tempo inteiro – uma das razões que leva a que 46,8% trabalhe mais de 40 horas semanais.  Em geral, o mercado não premeia o trabalho suplementar. Apenas 21,8% usufruem desta recompensa.

Os resultados do estudo revelam que mais de metade (61,1%) são obrigados a trabalhar nas instalações da sua entidade empregadora e 33,9% apontam dificuldades em alterar o seu horário de trabalho por motivos pessoais.

Também aqui as mulheres saem a perder. As portuguesas são quem beneficia de menor flexibilidade no trabalho. Em comparação aos mais jovens, os trabalhadores mais velhos têm mais benefícios.

Quanto às tecnologias de suporte à flexibilidade no trabalho, as ferramentas de trabalho mais utilizadas são o e-mail, a intranet, serviços de cloud computing e plataformas de messaging e instant messaging, apesar da utilização relativamente limitada.

A flexibilidade laboral é encarada pelos trabalhadores como um benefício importante (97,4%), mas como algo «suplementar ou complementar», especialmente se implicar cortes no salário. Ainda assim,  «a maior confiança na economia portuguesa, um maior intercâmbio cultural e uma nova geração de trabalhadores» são, na visão da consultora, «tendências que estão a quebrar lentamente o ‘status quo’ do mercado de trabalho português».

Para James Tattersfiel, fundador e director-geral da Polar Insight, «uma coisa de que podemos ter certeza é que, nos próximos dez anos, haverá mudanças sistémicas em todos os sectores». «O meu conselho é que se incentive a flexibilidade hoje para antecipar o futuro.»

Já Paula Gaia, chefe de projectos especiais da Polar Insight, refere que «já existem empresas em Portugal a democratizar a flexibilidade», nomeadamente na áreas das Tecnologias das Informação. Frisa, no entanto, que «é preciso estimular para que os seus líderes sejam embaixadores dessas novas práticas de trabalho, e parar de depender da microgestão.

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