Reconhecer o valor das pessoas através do humor

A Didaskalia é uma empresa que produz espectáculos de teatro para outras empresas, com o objectivo de inspirar, motivar e desenvolver as pessoas e as equipas.

Por Paulo Mendonça

 

Os espectáculos produzidos por esta empresa não se limitam a ser palestras, stand up comedy, monólogos ou teatro de improviso. São a mistura de tudo isto, uma ideia que, segundo explica Hugo Ferreira, produtor e coordenador técnico da Didaskalia, «surgiu naturalmente porque a nossa dramaturga Sandra já escrevia teatro desde 2003 e, mais ou menos desde a mesma altura, trabalhava em consultoria de recursos humanos. Muitos dos textos e peças que ela escrevia relacionavam-se com o mundo do trabalho. E, em termos de oferta, era algo que nós víamos muito desenvolvido noutros países, mas que não existia em Portugal, pelo menos no âmbito de uma empresa especializada».

Em 2015 Hugo Ferreira decidiu deixar o seu trabalho como pós produtor de vídeo para televisão e, em conjunto com alguns actores, pegou em textos que já estavam escritos, pediu novos e pôs em marcha o negócio.

O grande objectivo da Didaskalia, explica, é «ajudar a desenvolver a boa disposição nas empresas através do teatro. Quando conseguimos ter pessoas animadas, que se riem das situações do dia-a-dia, contribuímos para o seu desenvolvimento. No fundo, queremos pôr as pessoas a rir de si mesmas, das situações de trabalho, dos problemas, e assim relativizar e contribuir para espaços de trabalho mais felizes, divertidos e produtivos».

Segundo o produtor, a aceitação das empresas perante este formato tem sido excelente. «Temos dois grandes indicadores que nos dão esse feedback. Uma parte considerável dos nossos clientes volta a trabalhar connosco. Por outro lado, muitos recomendam-nos a outras empresas.»

Sandra Pinheiro, dramaturga da Didaskalia, conta que, por vezes, existem dúvidas por parte das empresas numa fase inicial. «A principal dúvida tem a ver com os espectáculos. O cliente quer muito que seja divertido, com bom gosto e que agrade aos participantes. E o trabalho criativo deixa-o sempre inseguro, sobretudo porque demora muito até que possa ver alguma coisa: tem de passar pela fase da escrita do texto, depois a construção do espectáculo e ainda os ensaios. Normalmente, o cliente só vê alguma coisa (quando vê) no ensaio geral. E mesmo assim vê sem público e o efeito de contágio do riso não existe. Por isso, o habitual é que fiquem inseguros, cheios de dúvidas, e a achar que as piadas não vão resultar. O mesmo acontece quando leem os textos.»

«Por norma, para evitar isso, não partilhamos o texto com o cliente, porque quando este só vê o texto, sem ver o trabalho dos actores, pode entrar em pânico. Gerir isso é mesmo a pior parte. Conseguir acalmar o cliente e garantir-lhe que as pessoas vão gostar, que vão rir e que a mensagem vai passar.»

Dentro das empresas, o objectivo de criar um espectáculo de teatro para os colaboradores pode variar consoante a área de onde vem o projecto. Hugo Ferreira afirma que «quando trabalhamos com a área de Recursos Humanos, ou numa óptica de comunicação interna, o principal objectivo é entreter com conteúdo. As empresas querem muito que as pessoas sejam capazes de se rir de si mesmas, e de aprender com o que não está bem. O teatro, aí, tem uma força enorme. Quando trabalhamos com o departamento de Marketing, o que se pretende é, sobretudo, ativação de marca, e criar situações que proporcionem ao cliente um contacto diferente e emocional com as marcas».

Leia a reportagem na íntegra na edição de Outubro da Human Resources.

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