Rock in Rio: Um ecossistema muito próprio

Começou como um movimento que, assente na força da música, tinha o objectivo de tornar o Brasil um país melhor. Mais de três décadas depois, o Rock in Rio apresenta-se como um ecossistema que pretende transformar o mundo.

 

Por Sandra M. Pinto

 

Energia positiva e respeito pelos outros são dois dos alicerces do Rock in Rio. A estes acresce a inovação e a vontade de transformar o mundo, ambos baluarte do Rock in Rio Ecosystem, como explicou Agatha Arêas, directora de Marketing Rock in Rio.

 

Com 33 anos, qual é hoje a missão e os valores do Rock in Rio?

Construir um mundo melhor através de pessoas e profissionais melhores. Acreditamos na sustentabilidade nas suas três vertentes: económica, ambiental e social. O Rock in Rio é centrado no ser humano porque tudo o que fazemos, qualquer iniciativa nossa, é em prol do ser humano e na melhoria de vida das pessoas. Damos muita atenção ao conhecimento, pelo que queremos construir um mundo melhor através de pessoas e profissionais mais bem preparados e mais conhecedores de si próprios. Queremos pessoas mais seguras, mais positivas, mais criativas e mais empáticas. Tudo isto impacta directamente na nossa capacidade como profissionais e na forma como conseguimos criar novos negócios e novas soluções.

Se estamos bem, produzimos mais e entregamos de volta à sociedade aquilo que recebemos. Desta forma, acreditamos que o mundo pode ficar melhor. Nestes 33 anos de marca fomos acumulando uma série de ensinamentos e construindo um legado que nos dá autoridade para fazer determinadas provocações, algo muito importante para nós. Não quer isto dizer que tenhamos a pretensão de achar que dominamos as melhores práticas, mas significa que sabemos exactamente o que queremos. No fundo, queremos ajudar as pessoas a sonhar com esse mundo melhor, mas saindo da sua zona de conforto.

 

Tendo começado como um festival de música, o Rock in Rio cresceu e é hoje muito mais do que isso. Qual é hoje o vosso propósito e de que forma se concretiza ele no negócio?  

É importante lembrar que o objectivo do Roberto Medina no início não era criar um festival de música, mas sim criar um movimento; um movimento de resgate da autoestima, da alegria e do orgulho na pátria Brasil. Com o final da ditadura, o país estava a sofrer muito, e a ideia do Roberto foi, através da música, unir e integrar as pessoas. Esse movimento assentou num festival de música que para sobreviver precisou das marcas e do seu apoio, as quais têm no Rock in Rio uma plataforma de comunicação.

Ao longo dos anos, o conceito foi evoluindo, sendo que o movimento foi ganhando força e a plataforma de comunicação ficando mais forte. De 1991 a 2000 ficámos longe do público por uma questão totalmente económica, mas quando regressámos o Roberto já trazia em mente algo ainda mais grandioso, pois olhando à volta percebeu que o mundo se estava a deteriorar e que era preciso consciencializar as pessoas. Aí começa a vertente social do Rock in Rio. Em 2001, fomos buscar o conceito “Por um Mundo Melhor”, que transformámos em assinatura oficial.

 

É isso que vos distingue, serem muito mais do que um festival de música?

Hoje, a nossa grande mais-valia é a nossa enorme e poderosa plataforma de comunicação. Quando chegámos a Portugal, tomámos a decisão de transformar ainda mais o Rock in Rio, tornando-o mais diversificado e cativante. No fundo, conseguimos fazer um parque de diversões comandado pela música. Em 2017 voltámos a mudar. Após termos identificado uma série de tendências, decidimos apostar em novos conteúdos, com novos palcos e uma oferta de temas ainda mais diversificada. O Rock in Rio é agora uma plataforma de experiências baseada em três universos: sensação, inspiração e conhecimento.

 

E o que é o Rock in Rio Ecosystem? Em que vertentes se reparte?

Ao olhar para aquilo que o Rock in Rio é hoje, facilmente percebemos que temos em mãos um verdadeiro ecossistema. Actualmente, o Rock in Rio Ecosystem divide-se em várias áreas, sendo que a base é o próprio festival. Em 2018 o nosso Ecosystem vai funcionar da seguinte forma: nos fins-de-semana de 23/24 e 29/30, temos o festival, no dia 27, a meio da semana, temos a formação de executivos com a Rock in Rio Academy, e, do dia 25 ao dia 29, temos a Rock in Rio Innovation Week@ Lacs.

 

A que necessidades esse ecossistema veio dar resposta e quais os objectivos a que se propõe?

Mais do que necessidades, foram oportunidades e vontades que se apresentaram num cenário muito propício e que nos levaram por este caminho. Esse cenário é a própria cidade de Lisboa, onde se vive uma total efervescência cultural, intelectual e criativa. O facto de termos uma marca tão cativante faz com que muita gente nos aborde com novas ideias, novos projectos e novas parcerias. Assim, além de sermos uma plataforma de entretenimento, percebemos que podemos alargar o que fizemos com o Rock in Rio Academy, pois sentimos que havia espaço para avançar com algo de diferente. Foi assim que surgiu a Rock in Rio Innovation Week@LACS, onde nos apresentamos como um gatilho de provocação ao dar palco para as pessoas apresentarem as suas ideias e os seus projectos. Este é um festival de criatividade e inovação.

 

DESTAQUE
Innovation Week@LACS
A ideia da Rock in Rio Innovation Week@LACS surgiu da junção de alguns factores, sempre com base na nossa vontade de partilhar e de receber legados, conhecimentos e ideias. É também uma forma de devolver a esta Lisboa, cada vez mais criativa, tudo o que ela nos dá e da qual recebemos tantos imputs. Muito importante foi a parceria estabelecida com o Lisbon Art Center & Studios (LACS), um cluster para as indústrias criativas, que assenta em três alicerces: communication, community e creative, que não só se apresenta como o lugar para ser a nossa nova sede, como nos convida para sermos um parceiro estratégico; estratégico na dinamização cultural do espaço – pelo que vamos ser responsáveis por toda a sua programação artística –, mas também intelectual, com conversas, debates e mesas redondas sobre temas pertinentes ou mesmo formações.

E esta nossa intervenção se não se limita à Innovation Week@LACS, pois é algo que vai continuar depois de terminada a edição 2018 do Rock in Rio, com uma programação continua que começa por ser mensal para passar a ser semanal. No fundo, a Rock in Rio Innovation Week@LACS é um festival de criatividade dentro do festival maior que é o Rock in Rio.

Cinco dias de evento onde os participantes podem no Lisbon Art Center & Studios, em Lisboa, assistir a mais de 100 intervenções entre talks e vários painéis sobre temáticas como digital marketing, design thinking ou inovação social. Haverá igualmente workshops, actividades de networking, um startup challenge que pode valer um prémio de 5 mil euros, e mostras de arte. Está a decorrer até dia 29. Mais informações aqui.

 

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