«Ser líder hoje não é estar no topo da pirâmide, mas suportar a pirâmide.»

Pedro Raposo, director de Recursos Humanos do Banco de Portugal, entrevistou José Miguel Leonardo, CEO da Randstad Portugal, tendo como mote perceber como vão ser organizadas as empresas do futuro e que tipo de líderes necessitam. Foi um dos principais momentos da XVI Conferência Human Resources Portugal. 

 

Começando por dar vários exemplos que comprovam a velocidade a que o mundo, em geral, e tecnologia, em particular, está a evoluir, Pedro Raposo questionou o responsável da Randstad Portugal sobre as principais diferenças para quando começou a trabalhar. Desde logo, ter um telex e um fax. Mas salientou que, mais importante do que as ferramentas e as formas de trabalhar – que são hoje muito diferentes -, são as pessoas. «O que mudou, essencialmente, é que, hoje, as pessoas estão no centro da equação, mais do que nunca». Por outro lado, «a tecnologia traz ferramentas e hipóteses de fazer», o que não é novo. «O essencial é a velocidade a que tudo está a acontecer.»

José Miguel Leonardo partilhou que a Randstad passou por uma transformação física – «um complete make over» – e que nem tudo correu bem, destacando que agora são completamente mobile, sem telefone ou secretárias fixas. Mas fez notar que «não chega mudar o hardware, temos que mudar o nosso software. A maior mudança tem que ser na atitude das pessoas, para se adaptarem à mudança e acompanhar o ritmo».

À pergunta sobre como se avaliam pessoas que não vemos, porque não estão no escritório, o CEO da Randstad não hesita: «Numa organização adulta não podemos estar preocupados com o que as pessoas estão a fazer, se estão a trabalhar. Contam os resultados. E importa assegurar a proximidade. Os líderes têm que estar disponíveis, o que não quer dizer “na sala ao lado”.»

Em relação ao receio de as máquinas “ultrapassarem” os humanos, José Miguel Leonardo lembra que as máquinas começaram por substituir os animais e depois as pessoas. E que já hoje recebemos “ordens” de máquinas, dando como exemplo o GPS. «Coabitamos com a tecnologia e acho que cada vez mais acataremos as sugestões das máquinas, pois vão sendo cada vez mais credíveis e facilitam-nos a vida. A tecnologia não é nenhum filme de terror. Os empregos não vão desaparecer», acredita.

Sobre os líderes, destacou a importância, cada vez maior, das soft skills. «As competências técnicas também são importantes, mas, ao ritmo que o mundo do trabalho evolui, temos que ser adaptáveis e estar constantemente a aprender. E liderança é estar com as pessoas, por isso ter inteligência emocional é fundamental. Concluiu afirmando que «ser líder hoje não é estar no topo da pirâmide, mas suportar a pirâmide.»

 

Não perca, na edição de Janeiro da Human Resources, a reportagem completa da XVI Conferência Human Resources Portugal.

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