Tecnologia e diversidade de género, uma relação possível

Apesar da percentagem de mulheres na tecnologia ter vindo a aumentar nos últimos anos, continuamos a deparar-nos com poucas mulheres em cargos de liderança no sector.

Por Miguel Mascarenhas, fundador da Fixando

 

A igualdade de género é um tema que, apesar da evolução das últimas décadas e o facto da nossa sociedade estar a contar, felizmente, com mais mulheres em cargos de liderança, continuará em debate enquanto as disparidades ainda se mantiverem acentuadas.

Apesar de alguma evolução, ainda há um longo caminho a percorrer para que esta diversidade seja efectivamente equilibrada. Especialmente no sector tecnológico, e no nicho das startups, continuamos a deparar-nos com poucas mulheres em cargos de liderança, como mostra o recente relatório “State of European Tech” da Atomico: apenas 6% das start-ups na Europa são lideradas por mulheres e apenas 9% ocupam cargos de chefia. Já tinha uma ideia da existência de algum desequilíbrio de género nesta área, mas não sabia que ainda era tão acentuado, apesar da percentagem de mulheres na tecnologia ter vindo a aumentar nos últimos anos.

A perceção que tenho, e que se baseia sobretudo na minha experiência profissional em empresas de base tecnológica, é que os departamentos de Recursos Humanos começam a aperceber-se dos benefícios de contar com uma equipa diversificada em todas as áreas, incluindo os departamentos de informática e tecnologia, marketing, produto, entre outras. Com a massificação da utilização da tecnologia no quotidiano, e principalmente pelo crescimento da utilização dos smartphones e outros dispositivos móveis, mas também a crescente importância das redes sociais, garantir essa diversificação pode ser um factor diferenciador em termos competitivos. Conseguir incorporar uma maior diversidade de formação e perspectivas nas equipas de trabalho pode tornar-se numa vantagem para as empresas que considerem este aspecto.

Acredito que o actual desequilibro pode ser invertido, e poderemos começar efectivamente a contar com mais mulheres nas áreas de tecnologia, quer em cargos de chefia ou em outros níveis, se esta área começar a ser incentivada desde cedo. A educação de áreas mais relacionadas com a tecnologia, como por exemplo a informática, deveria começar logo no ensino básico. Dar a conhecer as potencialidades desta área e tudo o que a tecnologia poderá criar é uma forma de estímulo. Promover feiras de tecnologia nas escolas, com a participação de empreendedoras (e empreendedores) de sucesso que dão a conhecer as suas histórias. Além disso, as elevadas taxas de empregabilidade dos cursos relacionados com a área de tecnologia têm de actuar como factor motivacional. Mas essa é uma mensagem que deve chegar cedo aos jovens, e pelas vias mais correctas, para que efectivamente sirvam de inspiração e os levem a optar por estas áreas.

As próprias empresas também podem, e devem, desenvolver várias acções para que o número de mulheres em cargos de chefia aumente. A diversidade em termos de contratações, promoções e nas equipas de gestão deve ser garantida. Os próprios valores das empresas devem enaltecer a diversidade de género e o departamento de Recursos Humanos deve agir nesse sentido.

Actualmente, na startup portuguesa tecnológica que estou a liderar, curiosamente 80% da força laboral é composta por mulheres. Promovemos, claro, a diversidade de género, mas desde a criação da Fixando que têm sido maioritariamente elementos do género feminino a fazer o match com os requisitos das contratações que fazemos. Ainda numa escala muito pequena, acredito que o nosso exemplo possa servir de incentivo a outras startups e empresas portuguesas, para que em poucos anos na área da tecnologia se possa dar o passo seguinte e alcançar efectivamente a diversidade de género que necessita.

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