Um certo tradicionalismo e desconhecimento da lei

Nuno Ferreira Morgado, coordenador da Área Laboral da PLMJ, comentou os resultados da 26-ª edição do Barómetro Human Resources. Sendo a legislação laboral um dos temas em destaque, reconheceu que a lei está, em alguns casos, bastante desactualizada, mas existem vários mecanismos de flexibilidade que as empresas não aproveitam.

 

«Os resultados à questão sobre se as empresas portuguesas são ágeis demonstram que existe uma fortíssima disparidade entre as grandes empresas ou as multinacionais e o panorama empresarial, dominante em Portugal, das pequenas e médias empresas. Nestas o foco está muito mais em enfrentar as imprevisibilidades do respectivo mercado, as dificuldades de tesouraria ou as dificuldades operacionais do que em ter sistemas de agilidade. É muito interessante que, quando questionado sobre as áreas onde há maior urgência de agilidade, a concentração de respostas do painel surja ao nível da administração e das chefias. Tal denota um certo tradicionalismo em quem define as metodologias de trabalho, o que pode revelar que os gestores ainda não vêem a agilidade como uma ferramenta de gestão que pode potenciar a produtividade. Mas ao cruzar os resultados da importância da agilidade num horizonte de cinco anos com os resultados desta questão, ganha relevo o papel que os gestores de Pessoas têm de conseguir ter, e do espaço que devem conquistar, num futuro próximo. No outro tema em destaque, sobre a legislação laboral portuguesa e se está preparada para responder às reais necessidades das empresas, não surpreende a concentração de respostas negativas (77%). Não obstante, tal pode revelar algum desconhecimento. É certo que a lei portuguesa é, em muitas dimensões, bastante desactualizada, ou pouco ajustada à realidade empresarial portuguesa, no entanto, o que também noto é que muitas empresas não aproveitam devidamente os mecanismos de flexibilidade introduzidos nos últimos anos. O que é mais surpreendente é que, quando questionado sobre as áreas onde há mais oportunidades de melhoria na lei, o painel destaca a excessiva burocracia – o que é uma realidade ao passo que a dificuldade nos despedimentos ou a flexibilidade salarial assumem menor relevância.»

Este testemunho foi publicado na edição de Abril da Human Resources, no âmbito do XXVI Barómetro.

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