Um ecossistema de felicidade nas empresas: como o construir?

Há três factores vitais (mais um) para a criação de um ecossistema que concilie os conceitos de felicidade, gestão e lucro nas empresas.

 

Por Ricardo Parreira, CEO da PHC

  

Há muito que defendo que as empresas mais sustentáveis e lucrativas são as que criam condições para que os seus colaboradores tenham níveis de motivação e de rendimento de excelência. Mas a criação dessas mesmas condições requer o desenvolvimento de um ecossistema que concilia os conceitos de felicidade, gestão e lucro. Este não é um caminho simples, muito menos fácil. Para o fazermos necessitamos de trabalhar em três vértices vitais:

1.º – A felicidade do indivíduo, que depende, acima de tudo, de si próprio. Uma empresa deve, com regularidade, formar e mentalizar os colaboradores para a chamada “atitude para a felicidade”. A partir do momento que uma pessoa se consciencializa que “a minha vida está nas minhas mãos”, liberta-se de uma série de preconceitos de culpabilização externa e aumenta o seu potencial de uma forma incrível. Toma as decisões que melhor a beneficiam e evolui como quer.

2.º – O trabalho de liderança. Dificilmente um líder pode fazer uma pessoa feliz, mas uma má liderança pode torná-la definitivamente infeliz. Defendo que a liderança deve ser uma espécie de liderança de serviço, em que o líder se preocupa com a felicidade e o desempenho de cada pessoa, com o alinhamento do propósito e o respectivo reconhecimento. E é por isso que a “atitude para a felicidade” depende da capacidade de uma empresa desenvolver iniciativas que tragam esta consciência aos líderes e de construir um governance empresarial que permita o devido acompanhamento de cada indivíduo.

3.º – A cultura da empresa tem de funcionar como uma espécie de compasso moral, tornando presentes os referenciais de atitude e comportamento que permitem a identificação e a coexistência de personalidades singulares dentro de um propósito colectivo. É nesse sentido que uma empresa deve trabalhar a sua cultura de forma profissionalizada, sem que os valores sejam palavras soltas que se colocam apenas numa parede, mas que estejam traduzidos em comportamentos adequados e que tenham um plano de actividades pensado para aumentar os níveis de identificação com esses mesmos valores.

A estes três factores vitais soma-se a avaliação do desempenho de cada um destes pontos com a implementação das chamadas HR Analytics. Não é segredo que defendo a medição de diferentes indicadores para trabalhar a atitude para a felicidade e dar aos líderes os respectivos dashboards. E talvez seja este um dos pontos-chave de todo este processo: hoje, a tecnologia é fulcral para tomar decisões que façam a diferença na vida das pessoas. Não é possível gerir uma empresa sem tecnologia, da mesma forma que não é possível gerir pessoas de forma eficaz sem as ferramentas que amplificam a nossa capacidade de trabalho e de decisão.

Estes pilares permitem construir a base para uma empresa com níveis de felicidade elevados, mas coloca-se a questão vital: vale a pena uma empresa investir na atitude para a felicidade?

Vale, pode e deve ser feito. Porque estes três pontos (mais um) constroem um ecossistema em que as pessoas se sentem mais felizes, mais motivadas e com um nível de produtividade que de outra forma não seria possível. Um ecossistema em que os líderes têm melhor capacidade para desenvolver a sua equipa e tomarem as melhores decisões. E, no fim de tudo, uma empresa melhor preparada para acrescentar valor aos seus clientes. Tudo isto se traduz em melhores resultados financeiros e em crescimento sustentado.

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro da Human Resources.

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